
Lidando com os filhos que ficaram
Não é incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho morto, como "o favorito", "melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado que morreu.
É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão, e porque vê seus pais sofreram de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste irmão.
Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que "sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.
Gabriela Casellato
Pais em luto que, numa ânsia de busca, relembram incessantemente tudo o que viveram com os seus filhos falecidos estejam atentos à vida quotidiana e ao futuro dos outros filhos falecidos, ao vosso lado também sofrem. Eles deprimem-se por verem tanta tristeza à sua volta.
Os irmãos são uma parte muito importante dos que partiram porque partilharam imensas coisas que os próprios pais desconhecem. Viveram, por vezes, um mundo muito especial juntos e, por isso, a imagem desses irmãos permanece no seu interior para sempre.
Os filhos vivos têm de ser salvos do seu desespero e somos nós, pais em luto, que temos de superar a nossa mágoa e tentar compreender também a sua dor, continuando a dialogar com eles e a mostrar-lhes o nosso amor.
Aida Nuno, in Na curva do caminho
Um pedacinho da vida de Álvares de Azevedo (o Maneco)
Formado, seu pai se transfere para a capital, o Rio de Janeiro, iniciando logo brilhante carreira jurídica. Aos quatro anos de idade, Maneco depara-se, pela primeira vez, com a morte. O falecimento de seu irmãozinho, Manuel Inácio, deixa marcas profundas sobre o jovem sensível. Alguns biógrafos atribuem ao choque com a morte do irmão uma febre que o domina entre os cinco e os seis anos, quase o mata, e que o deixaria debilitado pelo resto da vida. Certamente o poema O Anjinho, da Lira dos Vinte Anos, traduz, anos depois, a forte impressão que o episódio lhe causou:
"Não chorem! lembro-me ainda
Como a criança era linda
No frescor da facezinha!
Com seus lábios azulados,
Com os seus olhos vidrados
Como de morta andorinha!"
Não é incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho morto, como "o favorito", "melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado que morreu.
É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão, e porque vê seus pais sofreram de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste irmão.
Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que "sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.
Gabriela Casellato
Pais em luto que, numa ânsia de busca, relembram incessantemente tudo o que viveram com os seus filhos falecidos estejam atentos à vida quotidiana e ao futuro dos outros filhos falecidos, ao vosso lado também sofrem. Eles deprimem-se por verem tanta tristeza à sua volta.
Os irmãos são uma parte muito importante dos que partiram porque partilharam imensas coisas que os próprios pais desconhecem. Viveram, por vezes, um mundo muito especial juntos e, por isso, a imagem desses irmãos permanece no seu interior para sempre.
Os filhos vivos têm de ser salvos do seu desespero e somos nós, pais em luto, que temos de superar a nossa mágoa e tentar compreender também a sua dor, continuando a dialogar com eles e a mostrar-lhes o nosso amor.
Aida Nuno, in Na curva do caminho
Um pedacinho da vida de Álvares de Azevedo (o Maneco)
Formado, seu pai se transfere para a capital, o Rio de Janeiro, iniciando logo brilhante carreira jurídica. Aos quatro anos de idade, Maneco depara-se, pela primeira vez, com a morte. O falecimento de seu irmãozinho, Manuel Inácio, deixa marcas profundas sobre o jovem sensível. Alguns biógrafos atribuem ao choque com a morte do irmão uma febre que o domina entre os cinco e os seis anos, quase o mata, e que o deixaria debilitado pelo resto da vida. Certamente o poema O Anjinho, da Lira dos Vinte Anos, traduz, anos depois, a forte impressão que o episódio lhe causou:
"Não chorem! lembro-me ainda
Como a criança era linda
No frescor da facezinha!
Com seus lábios azulados,
Com os seus olhos vidrados
Como de morta andorinha!"
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