sexta-feira, 25 de setembro de 2015

As várias faces do LUTO



As várias faces do LUTO

A cultura brasileira faz com que vejamos o luto apenas como o sentimento vivenciado após a morte de pessoas queridas, mas ele se refere também a outras formas de perdas.
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em morte, luto e perdas.
A psicóloga Isaura von Zuben Lemos, especialista em psicologia hospitalar com formação em morte, luto e perdas.



“O luto é uma reação emocional a uma perda signifi cativa. É um processo natural e um modo de reç p g cuperação emocional face à perda”. Embora seja considerado um processo natural e universal, pois todas as pessoas passarão por essa experiência, as maneiras de vivenciá-lo dependerão da relação de apego vivida na primeira infância. O apego seguro, inseguro ou ambivalente (ansioso) da criança é o que vai determinar as reações no período em que se confrontar com o luto.

Apesar de o luto ser considerado um período natural da vida, a maioria das pessoas não está preparada para vivê-lo. Na cultura ocidental, a população é preparada para ter e não para perder. O sim e o não dos pais durante o processo educacional também influenciarão nessa fase da vida. Com essa formação, a separação, a perda pode desencadear vários processos de dependência, inclusive pode levar a depressão.

Por essas razões, que influenciam na saúde e qualidade de vida das pessoas, o entendimento do processo do luto, bem como a procura de ajuda profissional são essenciais para que as pessoas possam enfrentar a nova realidade e evitar o surgimento de doenças ou de dependências. Em Passos, Isaura von Zuben Lemos trabalha especificamente com o luto. “O momento da perda é um momento único. É nessa missão que consigo desempenhar bem a minha função”, disse a psicóloga. Isaura é natural de Campinas, mas trabalha em Passos há mais de 2 anos. É especialista em psicologia hospitalar com formação em morte, luto e perdas. Além dessa formação, acredita que a formação humanista que teve dos pais, muito contribui para a sua função e a necessidade que sente de ajudar pessoas.
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“Há alguns anos, as manifestações eram mais aceitas, as pessoas vivenciavam o período do luto, o que é muito importante. Hoje a dor do outro incomoda”, ressaltou. Esse processo de encobrir a dor ou de não deixá-la se manifestar pode trazer sérios problemas para a vida pessoal. Ainda segundo Isaura, aquele que não vivencia o luto após a perda vai vivenciá- lo de qualquer forma, pois ele surge na vida das pessoas. “Os rituais são extremamente importantes para vivenciar a transformação. Entre esses rituais está a vivência do velório, que é o tempo do morto e das manifestações da dor coletiva”, esclareceu.

Embora a dor e a saudade marquem a vida das pessoas quando perdem entes queridos, o tempo considerado pelos profissionais como sadio para se vivenciar o luto é de um ano. “É nesse período que a pessoa vai sentir a ausência nas datas mais significativas como os aniversários, Natal, Réveillon”, pontuou Isaura. Se esse período de luto persistir deve-se procurar um profissional.

Para identificar o processo que cada pessoa vivencia em relação ao luto é preciso entender as relações humanas na primeira infância. Se a criança teve apego seguro, aquele sentimento que mesmo estando longe da mãe a criança se sente segura, ela terá facilidade para vivenciar a perda. Quando a criança viveu o apego inseguro ou o ambivalente enfrentarão mais difi culdades no processo do luto. A criança insegura é dependente da mãe e a ambivalente, chora muito e estando longe da mãe nunca sabe se ela vai voltar.

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