Dr. Inácio Ferreira de Oliveira nasceu em Uberaba
em 1904, filho do Sr. Jacinto Ferreira de Oliveira, antigo pecuarista, e
da Sra. Maria Lucas de Oliveira.
Foi casado com a Sra. Aparecida Valicenti Ferreira.
Formado medico psiquiatra pela Faculdade de
Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, atual UFRJ,
exerceu com dedicação e desprendimento, o cargo de Diretor Clínico do
Sanatório Espírita de Uberaba, desde a sua inauguração em 1933.
Com desprendimento e altruísmo aceitou o convite embora declarasse não ser espírita e sim materialista.
Ao longo do seu primeiro ano de trabalho no
Sanatório, Inácio Ferreira recorreu apenas aos recursos oferecidos pela
medicina oficial para o diagnóstico e tratamento dos transtornos
mentais.
A proposta espírita para o desencadeamento da
loucura e seu tratamento não era utilizada pelo médico no tratamento dos
doentes. Restringia-se apenas a observar e investigar os trabalhos
mediúnicos de desobsessão realizados pela principal médium do Sanatório e
uma das suas idealizadoras, Maria Modesta Cravo, carinhosamente chamada
de Dona Modesta.
Após um ano de observação e pesquisa sobre as tarefas mediúnicas desenvolvidas no hospital, Dr. Inácio relatou estar convencido da teoria espírita proposta para a explicação, diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais.
Declarou-se adepto do espiritismo e foi
provavelmente o primeiro médico a institucionalizar as idéias de
tratamento para a loucura propostas pelo médico espírita Dr. Bezerra de
Menezes ( 1831/1900 ).
A partir deste momento até o seu falecimento em
1988, procurou realizar um tratamento psiquiátrico convencional mesclado
à terapia espírita e reuniões de desobsessão.
Dos livros que escreveu, seis lidam diretamente
com a questão da medicina e suas relações com o espiritismo: “Tens
Razão” (1942) dedicado exclusivamente para combater as acusações médicas
de ser o espiritismo um agente desencadeador da loucura, “Novos Rumos à
Medicina I e II” (1945-1948), onde discute e exemplifica com muitos
relatos de casos clínicos a proposta espírita de tratamento para a
loucura, “Espiritismo e Medicina” (1941), “Psiquiatria em face da
Reencarnação” (1940) e “Peregrinos da Vida” (1982).
A principal tese defendida pelo autor é que a
medicina se condenou a uma enorme restrição investigativa e terapêutica
ao se negar a estudar o fator espiritual nos transtornos mentais.
Apontou várias causas que poderiam ter gerado tal
resistência: o dogmatismo materialista e o autoritarismo dos meios
acadêmicos, presos ao magister dixit, interesses pessoais (religiosos ou
financeiros), má fé e ignorância dos preceitos espíritas.
Apesar de elogiar os esforços dos psiquiatras ao
longo dos anos, enfatizou a frustração na busca das etiologias e a
ineficácia em grande parte dos casos tratados.
Procedimento em que um espírito desencarnado que
estaria prejudicando alguém, causando-lhe sintomas, se manifesta em
reuniões mediúnicas onde é aconselhado, segundo diretrizes cristãs de
conduta, a abandonar sua ação maléfica sobre o paciente (Kardec, 1868).
O espiritismo, ao lado dos fatores sociais e
biológicos, seria uma ferramenta imprescindível para que a psiquiatria
pudesse dar um salto qualitativo, ajudando-a a melhor compreender e
tratar os transtornos mentais. Aos que respondiam com ironia a esta
afirmação, Ferreira relatava que suas observações eram baseadas em :
(...) "noites e dias de sacrifícios, longas horas
consagradas às pesquisas e às investigações. Lembrarem-se de que elas
partem de um médico cônscio das suas responsabilidades e que só resolveu
publicá-las, após milhares de provas com milhares de resultados!”.
Inácio Ferreira relata inúmeros casos de pacientes
tratados pela via espírita. Argumentava que o alto índice de curas
obtidas, apesar de uma grande restrição de recursos, era uma das
evidências a favor da teoria espírita.
Segundo um relatório com as atividades de 1934 a
1944 do Sanatório de Uberaba, 1352 pacientes deram entrada, 554 (41%)
saíram curados, 210 (16%) melhorados, 163 (12%) transferidos, 341 (25%)
foram retirados e 51 (4%) evoluíram para óbito.
Neste período, 423 casos foram catalogados como obsessão, sendo esta a classe diagnóstica que permitia maior percentual de cura.
Cumpre ressaltar que Kardec, Bezerra de Menezes e
Inácio Ferreira escreveram suas obras numa época em que as terapias
medicamentosas eram praticamente inexistentes ou pouco eficazes.
Ou seja, as obras sobre terapia espírita
publicadas por estes autores foram escritas antes da chamada “revolução
psicofarmacológica”, que causou muitas mudanças na prática psiquiátrica a
partir da metade do século XX.
Mas o autor não negava as causas materiais, pelo
contrário, dizia que “mais da metade dos pacientes encaminhados ao
Sanatório, como obsediados, nada mais eram do que portadores de doenças
orgânicas ou funcionais, mas de âmbito médico”.
O tratamento médico-espiritual realizado no
Sanatório pelo Dr. Inácio Ferreira, bem como os as suas publicações
ultrapassaram as fronteiras do movimento espírita brasileiro, alcançando
a imprensa, a população leiga e pesquisadores de diversos países.
Tanto Dr. Inácio Ferreira como Dr.Bezerra de
Menezes fizeram relatos de muitos casos de “curas espetaculares” obtidas
através da terapia espírita.
No entanto, muito do rigor metodológico apresentado pelos ensaios clínicos atuais não existia naquele período.
Com a colaboração de Da. Modesta, do generoso
filantropo Sr. Abdon Alonso y Alonso e jovens integrantes da União da
Mocidade Espírita de Uberaba, Dr. Inácio Ferreira concretizou em apenas
02 anos ( 1947 / 49 ) a sua idéia-inspiração de construir o Lar Espírita
– instituição para abrigar e educar meninas desvalidas. O terreno foi
comprado e doado a essa instituição por Dr. Inácio.
No final da sua vida, Dr. Inácio recebeu diversas e merecidas homenagens.
Em 1979, a Associação Médica de Minas Gerais
conferiu-lhe um título pelos seus 50 anos de trabalho na medicina. Em
1987, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Uberaba e a Faculdade de
Medicina do Triângulo Mineiro homenagearam o médico pelo trabalho
desenvolvido na cidade. Inácio Ferreira também foi um membro ativo da
maçonaria, recebendo diversos títulos desta instituição.
Dr. Inácio contribuiu de modo significativo para a
institucionalização das práticas e representações propostas pelo
espiritismo para o diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais
(influência dos espíritos e reencarnação). Além de ser o principal
disseminador desses princípios tanto no Brasil como no exterior.
Dr. Inácio
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