E depois, o que acontece?Saiba como as religiões encaram a perspectiva de vida após a morte. Embora de formas diferentes, todas acreditam que a Terra não é a última morada.
Aos poucos, a vista fica embaçada. O corpo perde a força. O coração bate cada vez mais devagar... Devagar... Até parar por completo. A respiração cessa, o sangue deixa de circular e o corpo esfria. Não há mais vida. O medo de enfrentar esse momento acompanha o homem desde a infância. Um temor provocado por inúmeras dúvidas. Será que vai doer? Vou encontrar de novo com minha família? Existe vida após a morte?
As religiões buscam acalmar essa angústia confirmando, de diferentes maneiras, a imortalidade do espírito. Nesse contexto, a fé nos consola e dá sentido à vida, pois explica de onde viemos e para onde vamos.
A crença da vida após a morte depende do período histórico. Por exemplo: os antigos egípcios acreditavam que as pessoas podiam voltar do mundo dos mortos. Por isso, mumificavam o corpo a fim de preservá-lo para quando o espírito retornasse à vida.
A idéia da alma imortal — que sobrevive à morte do corpo — ganhou força depois com a propagação do cristianismo. Mas judeus, budistas e muçulmanos também crêem na vida após a morte. Só não explicam em detalhes como ela é. A doutrina espírita é a que mais se preocupa em desvendar os mistérios da vida fora do corpo físico. Seus fundamentos baseiam-se em informações ditadas pelos que já morreram. ‘‘Se existem espíritos, por que eles não poderiam voltar para se comunicar com os seus’’, diz o Livro dos Espíritos (um dos pilares da doutrina). Veja abaixo como qual crença você mais se identifica.
A morte, segundo as religiões
Cada crença prega, à sua maneira, a imortalidade da alma. Conheça os rituais fúnebres de cada religião e a forma como eles encaram a existência após a morte
Budismo
Enterro: Deve-se queimar incenso durante o velório. O corpo é colocado num caixão com um rosário budista nas mãos. Um ou vários bonzos (iniciado nas escrituras sagradas de Buda) são chamados para celebrar o rito de despedidas finais. A cremação é recomendada.
Depois da morte: o falecimento não é o oposto da vida, mas parte de um processo de evolução do espírito. Não se pode experimentar plenamente a vida sem se preparar para a morte. O homem não é julgado por Deus, mas por sua consciência e ações. A alma reencarna 49 dias depois para cumprir o karma (resultado das ações realizadas nesta vida).
Espiritismo
Enterro: Geralmente, algum palestrante é chamado para falar sobre a ‘‘desencarnação’’ (os espíritas não dizem morte. Para eles, o espírito não morre nunca. Ela apenas deixa o corpo e volta para o mundo espiritual de onde veio).
Depois da morte: a alma (ou espírito) deixa o corpo, mas permanece com a mesma ‘‘personalidade’’. Alguns espíritos logo tomam consciência de que morreram e são encaminhados, por outros espíritos, aos hospitais das colônias (uma espécie de mundo paralelo onde vivem os que já morreram). Outros, demoram a perceber que não estão mais vivos e permanecem vagando na Terra. Há ainda os que vão para o Umbral, o ‘‘purgatório’’ dos espíritas. De qualquer maneira, depois de algum tempo, os espíritos que ainda não cumpriram sua missão voltam à Terra para reencarnar (nascer em outro corpo) .
Igreja Adventista do Sétimo Dia
Enterro: os adventistas têm um enterro similiar ao dos evangélicos (veja abaixo).
Depois da morte: a sepultura é um lugar de inconsciência, descrito na Bíblia como se as pessoas estivessem dormindo. Quando Jesus voltar, haverá uma grande ressurreição daqueles que morreram desde o começo da humanidade. ‘‘Exatamente como Ele soprou vida dentro do primeiro homem e mulher, acordará as pessoas que dormem com vida nova.’’ Já os maus não padecem no fogo do inferno. Eles simplesmente não irão ressuscitar e deixarão de existir.
Igreja Católica
Enterro: um padre é chamado para rezar pelo falecido. Depois de sete dias é feita uma missa para iluminar o espírito no caminho da vida eterna.
Depois da morte: os católicos acreditam na vida após a morte. Os bons vão para o céu, onde encontrarão a paz eterna. Os maus passarão por provações no inferno.
Igreja Evangélica
Enterro: o pastor é chamado para fazer um culto entregando a alma do falecido ao senhor
Depois da morte: para os evangélicos a morte não é motivo de tristeza, mas sim de celebração. O espírito da pessoa que partiu volta para o lado de Jesus. Lá, fica esperando a volta de Cristo ao mundo dos vivos, que marcará o juízo final.
Islamismo
Enterro: quando um muçulmano morre, tiram-se todos os adornos (anéis, relógios e jóias) do corpo. Depois, deita-se a pessoa no chão com os pés em direção à cidade sagrada de Meca. O caixão deve ser o mais simples possível pois só serve para transportar o corpo, uma vez que o falecido deve ser enterrado na terra. O enterro deve ser realizado rapidamente. O morto é vestido com uma mortalha branca que lhe cobre todo o corpo, inclusive a cabeça.
Depois da morte: Antes do enterro, a alma do falecido é visitada por dois anjos (Muncar e Nakir) que perguntarão qual a religião da pessoa e pedirão um relatório de suas boas e más ações. Este depoimento ficará registrado em um livro até o dia do Juízo Final. Os bons vão para o paraíso, cuja conotação é bastante sensual. Os homens, por exemplo, recebe um harém de virgens com olhos negros para servi-lo. Já os maus, vão para o inferno ou purgatório.
Judaísmo
Enterro: O corpo é colocado nu, no caixão, simbolizando o desapego aos bens materiais. Não se aprova a cremação pois o corpo deve permanecer íntegro. Um chazan (responsável por recitar as rezas judaicas) faz uma cerimônia de velação. O caixão deve ser preto com uma estrela de Davi branca, permanecendo fechado o tempo inteiro para preservar na mente dos parentes a imagem da pessoa viva.
Depois da morte: o judaísmo não costuma oferecer detalhes sobre a vida após a morte pois defende que os judeus devem se preocupar com este mundo. Não com o reino dos céus. No entanto, a torá (livro sagrado dos judeus) prega a existência da ressurreição. ‘‘O corpo e a alma serão reunidos novamente depois de terem sido separados pela morte.’’
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