quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Maldade e bondade

Maldade e bondade,são conceitos muitos simplistas para definir a amplitude do comportamento humano.
Antes de tentar resumir qualquer acontecimento de forma breve, é preciso observar em que circunstâncias se deram os fatos.
Já passamos da época em que todas as calamidades e catástrofes tinham por única explicação Deus ou o Diabo.
É chegada a hora de analisarmos as questões de forma mais profunda e científica do ponto de vista espiritual,afinal de contas também somos dotados de livre arbítrio sendo plenamente conscientes das implicações de nossas ações e omissões.
Fora isso existe toda uma complexidade de elementos externos e alheios à nossa vontade,capazes de viciar em muito os nossos atos.
Quanto a maldade, essa tem um tom muito particular,não basta dizer que uma pessoa é má,antes de mais nada é necessário também investigar as circunstâncias que levaram aquela pessoa a tomar determinadas atitudes que lhe renderam essa fama.
Como todos sabemos existem uma série de razões que podem transformar pessoas "boas" em pessoas "ruins",uma célebre frase já nos ensinava que "O homem é o produto do meio."
(Russeau).
É claro que não devemos ser inocentes a ponto de acreditar que o mal inexiste,mas não podemos atribuir a ele todas a causa da problemática humana.
Somos seres em constante evolução,logo estamos fadados ao êxito e ao fracasso e isso muito tem a ver com o ambiente e as condições em que nos desenvolvermos,somados à nossa fibra moral e a nossa vontade de vencer.
Existem pessoas dotadas de toda estrutura necessária para alçarem os vôos mais altos e que por uma questão de formação familiar, de índole e até mesmo de ausência de espiritualidade,acabam sendo vitimadas por energias deletérias capazes aniquilar toda uma existência útil.
Tornando-se um fardo para a família e para a sociedade em que vivem.
São vítimas do descaso e do despreparo dos pais que lhe negaram o convívio salutar com a espiritualidade,fazendo delas vítimas de agentes opressores e vorazes, capazes de sugar toda sua energia vital ,transformando o jovem em uma figura apática e rebelde,muitas vezes levando ao consumo de drogas e a delinquência.
Em outros casos as próprias condições insalubres do local se encarregam de criar o cenário ideal para a formação de delinquentes e marginais.
O abandono, a miséria, a exploração,a violência,o alcoolismo e o consumo de entorpecentes fazem parte da infância de muitas crianças,além de criarem as condições ideais para a proliferação da ação de delinquentes espirituais que se comprazem no domínio e na subjugação das pessoas que habitam e frequentam esses locais.
Agindo sob o psiquismo desses espíritos,as pessoas criam redes complexas de intercâmbio entre esses seres das sombras,deliquentese e viciados .
Tornando difícil a erradicação do mal devido ao fortalecimento dos laços psíquicos formados pelas emanações mentais advindas desses processos de obsessão coletiva.
É claro que nem todas as pessoas que habitam e frequentam essas regiões estão envolvidas nesse processo complexo de obsessão,muitas trabalham,estudam e levam uma vida saudável,antes de mais nada é necessário avaliar cautelosamente caso a caso e verificar que em muitos casos somente a ação do poder público não erradicará o mal por completo, é necessário uma ação espiritual poderosa também,de modo a afastar e repelir essas hostes espirituais e libertar as pessoas reféns desse processo de subjugação espiritual.
Portanto meus amigos seria muito importante que vez ou outra quando você se lembrar,faça uma pequena prece em favor dessas pessoas que vivem sob essas condições assim formaremos uma comunhão poderosa de pensamentos e um dia veremos as periferias,os subúrbios e até mesmo os lares mais abastados,livres dessa influência perniciosa.
Paulo Ricardo da Silva

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O médium pode fumar? beber?

O médium pode fumar? beber? "De maneira geral, pode-se afirmar que os Espíritos similares se atraem, e que raramente os Espíritos das plêiades elevadas se comunicam por maus condutores, quando podem dispor de bons aparelhos mediúnicos, de bons médiuns, numa palavra."

Fumar ou beber não constituem necessidades básicas para o homem. Antes, são fatores de decadência orgânica e moral, quando o excesso passa a dominar o que era moderação. O homem que sente a necessidade de um vício, quando este lhe subtrai cotas de fluidos vitais a troco de uma calma ilusória ou euforia efêmera, ainda precisa educar-se emocionalmente para superar as frustraçôes ou enfrentar situaçôes rotineiras, sem imaginar a fuga como solução. Diz-se que o mal está no excesso.
Mas o excesso é relativo a cada indivíduo. Para alguns, uma simples dose é excessiva. Para outros, uma garrafa é suportável. O que toma uma dose para almoçar, repete o gesto sete vezes por semana, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. Estará tal quantidade alcoólica compatível com os padrôes orgânicos. E quando a droga causa dependência?
E quando deixa no indivíduo fluidos que podem ser transferidos a outrem? E quando submete certos órgãos a uma sobrecarga de trabalho? E quando alimenta a morbidez, a violência?
Atrás da afirmativa de que o mal está no excesso, falso atenuante para amenizar a acusação da consciência, esconde-se o extenso rol de argumentos que a desmentem na maioria das ocasiões. Explico pelo enfoque mediúnico, cuja abordagem nos lembra, de imediato, as companhias espirituais que atraímos e cultivamos pelos pensamentos e açôes. Falo do passista, que poderá inverter o processo curativo, quando, pelo uso do livre-arbítrio, houver tomado uma única dose no dia do seu trabalho espírita.
Comento pelo trabalhador da mediunidade, a exigir dos técnicos espirituais extensos labores para higienizá-lo, e pelo tratamento inadequado ao enfermo carente de fluidos vitais assepsiados, quando os recebe mesclados de substâncias tóxicas. Interpreto pelo doutrinador, desarmado ante a ofensiva do obsessor ao lembrá-lo da sua impotência diante do vício. Critico pela falta de bom senso, quando, conhecendo o suicídio involuntário, tais usuários de venenos a conta-gotas nada fazem para afastá-las dos roteiros cármicos a que se vinculam.
Se alguns consideram "chique" tomar uma bebida ou fazer-se de chaminés ambulantes, é um direito a que podem recorrer. Todavia, como atrelado a cada direito existe um dever, é útil lembrar o dever da conservação do corpo, que se desgasta a cada gole ou baforada. O problema é pois, de conscientização.
Sendo a sala mediúnica local de terapia intensiva, aquele que não se encontra em condiçôes de nela operar que se abstenha de contaminá-la. Nesse caso, não atrapalhar já é ajudar. E, se alguém entrar no recinto eivado de fluidos densos provindos do vício social do tabagismo, do alcoolismo e do pensar desregrado, que se prepare para enfrentar pesados débitos contabilizados em seu nome, nublando-lhe o futuro, a prenunciar temporais com acidentes.
Cuide-se o desatento! O tempo, que tece a vida, não costuma esquecer os infiéis, nem ser ingrato aos que lhe honraram com a fidelidade.
Luiz G. Pinheiro

O ESPIRITISMO E A EXPLICAÇÃO PARA O ALCOOLISM


Todos os dias somos bombardeados por sugestões negativas, influenciados por espíritos que habitam os planos inferiores, os chamados obssessores.
Nossos protetores tentam nos proteger destes ataques,porém o livre arbítrio nos permite escolher entre o bem e o mal.
Espíritos que em vida foram escravos do alcoolismo, necessitam agora captar fluídos para satisfazerem o seu desejo pela bebida, pois ainda sentem como se estivessem entre nós, ainda são atraídos pelos vícios que aqui os escravizava.
Para captar e absorver estes fluídos, eles necessitam de uma "ponte", de alguém que "forneça" seu corpo físico, satisfazendo assim suas vontades.
É justamente nessas horas que os obssessores, como que verdadeiros vampiros, se apoderam e tomam conta das pessoas que já possuem uma fraqueza para o vício da bebida.
Para quem possui visão espírita, é perfeitamente possível ver que ao lado de um alcóolatra há centenas de espíritos errantes, como se estivessem "chupando" suas energias, na tentativa de usufruir do mesmo prazer que tinham pela bebida quando em vida.
Por esse motivo que nós, espíritas, alertamos quem passa por este problema, seja pessoalmente, seja na família, seja um amigo, que além de ajuda médica e psicológica, procure também ajuda espiritual. Sem esta ajuda do plano superior, é muito difícil para um indivíduo, largar o vício da bebida.
Pense nisso.

ESPIRITOS PROTETORES

ESPÍRITOS PROTETORES Pode um pai, mãe ou outro parente próximo desencarnado, ser nosso protetor espiritual ?
Esta é a vontade de muitos.

 Quem não gostaria de continuar tendo a proteção de um pai, de uma mãe, de um irmão, que mesmo habitando agora no plano espiritual, olhasse por nós, como um verdadeiro guardião?
Muitas pessoas que tiveram seus batimentos cardíacos interrompidos por alguns segundos, ou aqueles que permaneceram em estado de coma, relataram passagens onde um parente próximo vinha em seu auxílio.
O espiritismo nos ensina que ao desencarnar, o espírito muitas vezes passa por um processo de confusão, não sabendo bem o que lhe ocorreu.

 Alguns custam a aceitar sua nova condição de ser espiritual.
 Somente depois de um determinado tempo, que varia muito de uma pessoa para outra, que é possivel ao espírito agir como um protetor. 
Para isso é necessário muita doutrinação, muito aprendizado com entidades superiores, para que este parente nos auxilie como se fosse nosso anjo protetor. 
Vale lembrar que alguns espíritos, devido ao seu alto gráu de instrução e diversas vivências anteriores neste mundo, podem sim agir como protetores pouco tempo depois de desencarnar.
Por este motivo não é aconselhável ficar pedindo, implorando ou mentalizando para que um parente que acabou de nos deixar, apareça em sonhos ou visões para nós.
Existe um ditado espírita que diz: "deixe os mortos enterrarem os seus mortos".

 Isto quer dizer que todos aqueles que desencarnam, serão amparados por espíritos que o conduzirão pelo melhor caminho. 
A nós só resta rezar e pedir luz e força espiritual para quem passou para o outro plano.
Todos nós somos cercados por espíritos benevolentes, que travam diariamente batalhas contra o mal, nos protegendo e orientando. 

Mas isto não significa necessariamente, que eles sejam parentes próximos.
Pense nisso.
Boa sorte.

A alma .


A alma .
Todos vamos envelhecer… 
Querendo ou não, iremos todos envelhecer. 
As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. 
A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. 
A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. 
O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. 
Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar. Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história.
 Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. 
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios. 
Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo.
 Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores. Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.

Texto de Adélia Prado.

sábado, 26 de setembro de 2015

Não haverá pelo que lutar

Não haverá pelo que lutar
Não haverá pelo que sofrer
Não haverá motivos para sonhar
Não haverá o que se temer...
Somente vazio, vácuo, sombras...
Nem tristeza,nem alegria,nem dor, nem desilusão, nem esperança...
Apenas o nada.
O nada é a ausência de tudo e a resposta imediata da inércia e da indecisão.
O nada não conforta, não agride,não emociona,não alegra,não decepciona,não motiva,o nada é só o nada.
O nada é o consolo de quem não se expõe, não se arrisca, não luta e não corre atrás...
O nada é o ponto final de uma quase história de quem se indispôs com a vida,preferindo ter uma existência muito aquém daquele que nem existiu
 
Paulo Ricardo da Silva

MORTOS AMADOS!!

MORTOS AMADOS!!
Na Terra, quando perdemos a companhia de seres amados, ante a visitação da morte sentimo-nos como se nos arrancassem o coração para que se faça alvejado fora do peito.
Ânsia de rever sorrisos que se extinguiram, fome de escutar palavras que emudeceram.
E bastas vezes tudo o que nos resta no mundo íntimo é um veio de lágrimas estanques, sem recursos de evasão pelas fontes dos olhos.
Compreendemos, sim, neste Outro Lado da Vida, o suplício dos que vagueiam entre as paredes do lar ou se imobilizam no espaço exíguo de um túmulo, indagando porquê...
Se varas semelhantes sombras de saudade e distância, se o vazio te atormenta o espírito, asserena-te e ora, como saibas e como possas, desejando a paz e a segurança dos entes inesquecíveis que te antecederam na Vida Maior.
Lembra a criatura querida que não mais te compartilha as experiências no Plano Físico, não por pessoa que desapareceu para sempre e sim à feição de criatura invisível mas não de todo ausente.
Os que rumaram para outros caminhos, além das fronteiras que marcam a desencarnação, também lutam e amam, sofrem e se renovam.
Enfeita-lhes a memória com as melhores lembranças que consigas enfileirar e busca tranqulizá-los com o apoio de tua conformidade e de teu amor.
Se te deixas vencer pela angústia, ao recordar-lhes a imagem, sempre que se vejam em sintonia mental contigo, ei-los que suportam angústia maior, de vez que passam a carregar as próprias aflições sobretaxadas com as tuas.
Compadece-te dos entes amados que te precederam na romagem da Grande Renovação.
Chora, quando não possas evitar o pranto que se te derrama da alma; no entanto, converte quanto possível as próprias lágrimas em bênçãos de trabalho e preces de esperança, porquanto eles todos te ouvem o coração na Vida Superior, sequiosos de se reunirem contigo para o reencontro no trabalho do próprio aperfeiçoamento, à procura do amor sem adeus.
Autor: Emmanuel
Médium: Chico Xavier

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

morte de um filho deixa uma dor eterna

morte de um filho deixa uma dor eterna

13/04/2008 00h00

Entrevista de Jorge Forbes para o jornal O ESTADO DE S. PAULO - caderno Metrópole, domingo, 13 de abril de 2008.

Opinião é do psicanalista Jorge Forbes; para psicóloga especialista em luto, muitas mães nessa situação se culpam por continuar vivendo.

Laura Diniz

Vazio absoluto. Um nada sem chão, teto ou paredes. Mais que um poço fundo, o fundo sem o poço. A falta de ar. O desespero. A desesperança. Irracional, ilógico, inaceitável. As palavras e imagens mais fortes não são capazes de definir, na opinião de especialistas ouvidos pelo Estado, o luto de uma mãe que perde um filho.

“A morte de um filho deixa cicatriz indelével, uma dor eterna”, explicou o psicanalista e psiquiatra Jorge Forbes, presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana. “É a pior situação humana, não há perda maior. Não tem nada de simbólico para a pessoa a elaborar essa perda. Você morre junto mesmo!”

A empresária Elizabeth Cabral, de 54 anos, fundadora da ONG Dor de Mãe, disse que, provavelmente, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 24, ainda não realizou a perda da filha, Isabella, de 5. “Está tudo muito recente. Ela deve estar sendo muito assediada, o País se movimentou em volta disso”, afirmou Elizabeth, que perdeu um filho numa cirurgia malsucedida há oito anos. Segundo ela, a ficha demora muito para cair - já viu casos de um ano -, mas o tempo varia de mãe para mãe. “Eu segui esperando por um bom tempo. Fazia a comida preferida dele, limpava a casa com o desinfetante com o cheiro que ele gostava, não tirava o terno no armário, lavava o tênis. Aos poucos, fui tomando consciência de que meu filho não voltaria.”
Gradações do Luto

Em termos técnicos, chama-se trabalho do luto, segundo Freud, a atividade que a pessoa realiza quando perde alguém querido. “Para Freud, o ser humano não é um ser de dois braços e duas pernas. É como se fosse uma ameba com vários braços e pernas que nos conectam com as pessoas do mundo com maior ou menor intensidade”, explicou Forbes. Quanto mais difícil for colocar amor em palavras, mais forte será a conexão e mais dolorosa, a perda. O trabalho de luto é a recolocação desses “braços e pernas” que ficaram soltos em outras pessoas e ideais. Ocorre após um tempo de recuo sobre si mesmo, depressão ou melancolia.

Segundo Forbes, o luto dura habitualmente de dois a seis meses para pessoas não muito próximas. No caso de filhos que perdem os pais, leva mais de um ano quando a morte é imprevisível. A dificuldade em lidar com a perda é maior entre 5 e 15 anos de idade, quando a pessoa ainda está constituindo a identidade. “Se for antes, fica mais fácil de substituir; depois, já se tem recursos para trabalhar o luto.”

Se a morte dos pais é natural, decorrente da velhice, a dor é amenizada pela previsibilidade. “O filho vai se preparando durante toda a vida para a perda dos pais. O trabalho de luto é constante. Ele vai constituindo outra família, repete nomes de antepassados nos filhos, muda de posição em relação aos pais - passa a ser provedor -, começa a falar de herança etc.” A perda vai, então, se transformando em memória.

O mesmo processo ocorre quando pais perdem filhos de forma previsível. “Ao longo de uma doença do filho, por exemplo, a dor dos pais é terrível, mas haverá elaboração. O luto começa no dia do diagnóstico e eles iniciam a substituição da presença pela memória”, explicou o psiquiatra.

Por ser “antinatural”, a morte imprevisível do filho é a que mais desestabiliza o ser humano. Nesse caso, o processo de substituição da presença pela memória e de recolocação no mundo fica muito mais lento e doloroso porque os pais não conseguem lidar com seus sentimentos. “A pessoa, nos momentos imediatamente posteriores à perda, percebe abaladas suas sensações de segurança, esperança, entusiasmo e previsão de futuro - o popular ‘tô sem chão’. Paradoxalmente, essas são as ferramentas para o trabalho de luto. Os pais ficam num vazio absoluto.”

Elizabeth conta que muitas mães acabam se sentindo “ETs” porque não conseguem lidar com a dor e o mundo. “O sofrimento pode ser expresso com desespero, alienações, ou sintomas de enlouquecimento. Muitos pais ficam presos à presença do filho e a recuperam em um outro mundo”, explicou Forbes.

A psicóloga Gabriela Caselatto, doutora em luto materno pela PUC-SP, afirmou que a perda para a mãe é mais dolorosa que para o pai, pelo que o filho significa na vida dela. “Representa questões de infância, identidade pessoal, desempenho como mãe e expectativas de futuro que se cria em relação ao filho, que é continuidade da vida dela.”

Segundo Gabriela, após a perda, as mães sentem muita culpa. “Por sobreviver, já que o filho, de forma antinatural, morreu antes dela; pelos cuidados que imagina que poderiam ter impedido a morte dele e por sentir prazer na vida depois da morte de um filho.”

Outro drama enfrentado pelo casal após a perda é a dificuldade em conviver. Segundo a psicóloga, pesquisas indicam que 80% dos casais que perdem filhos se separam. “Os dois não conseguem conversar. Se o marido não quer falar porque dói e a esposa precisa falar porque ajuda na dor, um incomoda o outro.”

Elizabeth contou que, após a morte do filho, fica com o coração mais apertado quando vê uma família com pai, mãe e todos os filhos por saber que nunca mais terá sua família junta novamente. “Não existe ex-mãe nem ex-filho. Vou deixar de pensar no meu filho só no dia em que for calada pela morte.”

Perder um filho, uma dor eterna


Perder um filho, uma dor eterna


Deus, sempre está nos proporcionando viver experiências. Algumas delas são maravilhosas, já outras, são experiências terríveis que tira nosso chão e nosso teto. Acredito, que destas duas experiências a que nos ajuda a crescer muito são aquelas que nos causam alguns tipos de perdas, pois estas, nos levam a compreender que não podemos apegar a nada. Não podemos nos apegar ao dinheiro; apegarmos aos supérfluos e nem mesmo as pessoas que mais amamos. Devemos apenas viver um dia de cada vez e desapegados. Enfim, a única coisa que devemos nos apegar é em Deus, nem na nossa vida devemos ser apegados, mas vive-la.

Há um ano e seis meses, Deus, me proporcionou viver uma experiência terrível. Uma experiência pior que perder um pai, perder uma mãe (digo isto, porque esta eu já vivi), perder um irmão. A pior experiência é de perder um filho. Independente a maneira como um filho se vai a dor é a mesma e intensa. No meu caso, meu filho tinha 16 anos, alegre, cheio de vida e de planos, ao retornar para o trabalho de bicicleta, acabou sendo atropelado por um caminhão o qual faleceu no local.

Pois bem, após este acontecimento, minha vida teve uma reviravolta em termos sentimentais. Em relação à forma de enxergar a vida. A maneira de me relacionar com as pessoas e comigo mesmo, mas sobretudo, a forma de sentir na carne a dor que é para tantos pais que perdem seus filhos.

A partir deste acontecimento, criei uma comunidade no site relacionamento (orkut), para compartilhar com os pais que passaram por este mesmo trauma, por esta mesma dor. Também, participo em grupos no Facebook, onde partilhamos esta dor. Enfim, passei também a ler e me inteirar sobre este assunto.

Acredito que a melhor forma de lidar com uma dor emocional não é se isolar. É, não querer carregar somente consigo esta dor, pelo contrário, é partilhar, é expor a dor. É associar-se com pessoas que passaram pela mesma situação. Acredito que isto é tão verdadeiro, que são os grupos de mutua ajuda aqueles que obtém resultados positivos em termos curas emocionais ou mesmo, colaboram para que se consiga forças para conviver com determinadas situações, onde há necessidade de controle emocional.

Nós filhos somos um pedaço de nossos pais, e nossos filhos são pedaços de nós. São partes que nos faz viver. Muitas vezes, mais da metade das vidas dos pais é vivida em função dos filhos. Não que isto seja errado, mas é natural esta ligação. Ou seja, isto está na essência do ser humano, do ser mãe e do ser pai.

Enfim, não há nada de errado, nada de mórbido os pais que perderam filhos, sempre falarem neles. Sempre transmitirem esta dor da saudade que possuem pela sua ausência. A dor de perder um filho, não se resume aos dias do acontecimento, mas por toda a vida. Evidentemente, com o passar do tempo esta dor se transforma e aprendemos a lidar com ela, sem que nossa vida desande e transforme em doenças como a depressão e outros tipos de doenças até mesmo orgânicas que além de nos destruir, atingem todos que estão a nossa volta.

Portanto, esta dor de perder um filho é algo muito particular que deve ser respeitado por todos. Pois, é uma das mais tristes experiências que o homem pode passar e que cada um tem sua maneira de lidar com ela.

Ataíde Lemos

Lidando com os filhos que ficaram



Lidando com os filhos que ficaram

Não é incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho morto, como "o favorito", "melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado que morreu.

É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão, e porque vê seus pais sofreram de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste irmão.

Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que "sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.

Gabriela Casellato

Pais em luto que, numa ânsia de busca, relembram incessantemente tudo o que viveram com os seus filhos falecidos estejam atentos à vida quotidiana e ao futuro dos outros filhos falecidos, ao vosso lado também sofrem. Eles deprimem-se por verem tanta tristeza à sua volta.

Os irmãos são uma parte muito importante dos que partiram porque partilharam imensas coisas que os próprios pais desconhecem. Viveram, por vezes, um mundo muito especial juntos e, por isso, a imagem desses irmãos permanece no seu interior para sempre.

Os filhos vivos têm de ser salvos do seu desespero e somos nós, pais em luto, que temos de superar a nossa mágoa e tentar compreender também a sua dor, continuando a dialogar com eles e a mostrar-lhes o nosso amor.
Aida Nuno, in Na curva do caminho

Um pedacinho da vida de Álvares de Azevedo (o Maneco)

Formado, seu pai se transfere para a capital, o Rio de Janeiro, iniciando logo brilhante carreira jurídica. Aos quatro anos de idade, Maneco depara-se, pela primeira vez, com a morte. O falecimento de seu irmãozinho, Manuel Inácio, deixa marcas profundas sobre o jovem sensível. Alguns biógrafos atribuem ao choque com a morte do irmão uma febre que o domina entre os cinco e os seis anos, quase o mata, e que o deixaria debilitado pelo resto da vida. Certamente o poema O Anjinho, da Lira dos Vinte Anos, traduz, anos depois, a forte impressão que o episódio lhe causou:

"Não chorem! lembro-me ainda
Como a criança era linda
No frescor da facezinha!
Com seus lábios azulados,
Com os seus olhos vidrados
Como de morta andorinha!"

A dor de perder um filho é para sempre?



A dor de perder um filho é para sempre?

A perda de um filho implica num tipo muito particular de luto, pois solicita adaptações tanto sob os aspectos individuais de cada um dos pais no enfrentamento desta situação, como em adaptações na relação com o(a) esposo (a), no sistema familiar e na sociedade.
Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva de futuro, pois é neles que garantimos a possibilidade de realizar todos os sonhos e projetos que não conseguimos em nossas próprias vidas. Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um pedaço de nós.

Reações à perda de filhos
O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta, e por algum tempo a pessoa chega a "brigar" com Deus, por não conseguir entender (aceitar) o porquê de estar vivendo uma dor tão intensa.

As reações ligadas à perda de um filho dependem de alguns fatores como:

- a relação prévia entre pais e filho. Por exemplo: quando existem conflitos no relacionamento, os pais sentem-se mais culpados após a perda de seu filho.

- a idade do seu filho: não existe uma idade pior, mas em cada etapa da vida existem fatores que dificultam a elaboração da perda, como por exemplo, na adolescência, fase em que existem maiores chances de conflitos entre pais e filhos.

- as circunstâncias da perda: o quê aconteceu, como acontecer, as causas da perda.

- Um número grande de sintomas fisiológicos pode acompanhar as reações psicológicas e sociais dos pais, como por exemplo: anorexia, distúrbios gastrointestinais, perda de peso, insônia, cansaço excessivo, choro, palpitações, estresse, perda do desejo sexual ou hipersexualidade, falta de energia e retardo psicomotor, respiração curta.

E o que acontece no casamento?
O casamento sofre um grande impacto com a perda de um filho. As características do relacionamento obviamente serão afetadas pela maneira como cada um dos parceiros expressa sua dor. A comunicação tende a complicar-se, pois a mãe pode sentir sozinha em seu luto, enquanto o pai pode se ver lutando para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento da esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento do outro, por muitas vezes gera um distanciamento tão grande nos casais, que não é incomum ocorrerem separações após a perda de um filho.
Gabriela Casellato

Processo de luto



A morte está presente na vida de todos nós, para alguns mais cedo, para outros, de modo mais trágico, e para os privilegiados, de forma a corresponder com os grandes ciclos naturais da vida. Embora parte da vida, a morte é vista em nossa sociedade como algo a ser evitado, postergado, como se morrer fosse adversário do processo de viver.

Essa visão se baseia em três princípios. Primeiramente, quando se está na vida, é preciso encontrar forças para lutar por ela e a morte elimina qualquer possibilidade de continuidade dentro da mesma perspectiva de antes. Pode-se falar, é claro, da continuidade espiritual, da prevalência das memórias que mantêm viva uma pessoa que se foi. Mas o fato é que a morte interrompe um processo, modificando as possibilidades e os rumos dos envolvidos. Por isso, a batalha entre pulsão de vida e pulsão de morte, coloca muitas vezes as duas em extremidades opostas, apesar da morte estar contida na vida e esta naquela.

O segundo ponto que nos faz temer a morte é o que vem depois dela. De todas as transformações, a morte é a mais definitiva e profunda, arrebatando nosso ser para uma realidade completamente desconhecida. Se há vida depois da morte... eis uma questão de foro íntimo, uma questão de fé e de percepção de vida. Da perspectiva da Terra, pura e simples, o que há na morte é a saudade e o encerramento de uma história. Se esse encerramento é uma passagem para um mundo diferente do nosso, nem todos conseguem se agarrar a essa esperança.

E finalmente, o último elemento que nos faz ter repulsa à ideia da morte é a dor. Em qualquer língua, em qualquer época, em qualquer história, dor é dor, e requer muito treino, paciência e aceitação para se tornar construtiva em nossa trajetória. A dor é uma violência para a alma e nos tira do patamar de compreensão que tínhamos até então para nos lançar ao estado do limbo, no qual não se pertence a mundo nenhum, pois a conexão com a realidade fica frágil.

Processo de luto

Quando se perde alguém violentamente, de modo repentino ou inesperado, quem fica permanece nesse limbo por um tempo indeterminado. É comum pessoas em processo de luto por morte abrupta serem tomadas por um estado de catatonia, semelhante a um morto-vivo, ou a um robô, que passa a agir no "piloto-automático", sem domínio ou vontade de controlar suas ações. Uma parte continua vivendo, pois entende ser necessário, mas a outra não está lá. A alma fica dividida e constantemente, o enlutado sente que morreu também e que sua história nunca mais será a mesma.

De fato, nunca mais será, pois a morte marca a alma. Entretanto, estamos na vida para sermos transformados a partir das experiência que o acaso (será?) nos propõe. A superação só se dá a partir de um longo processo e ela não significa esquecer, fingir que não aconteceu ou ainda não sentir dor quando lembrar. Superar significa apenas aceitar e continuar.

Mas como aceitar algo que não faz sentido? Algo que não vem com avisos, que não parece ter um por quê dentro da lógica do merecimento? Como aceitar a morte de alguém bom, que tinha uma vida enorme pela frente? E que o destino levou em segundos, sem nos ter orientado para aquele momento? Como continuar sem ter mais vontade de viver, sem ter um sentido que nos norteie?

Da dor à aceitação

Podemos tomar como exemplo o caso recente do filho de Cissa Guimarães, de 18 anos, levado pelas circunstâncias de modo violento. Uma reação bastante comum inicial seria a de procurar culpados, alguém em quem se possa descarregar a dor. O fato é que isso, além de gerar novas dores, não traz a pessoa de volta. Alguns dizem que buscar justiça traz alívio. Entretanto, no caso de acidentes e não de crimes intencionais, culpabilizar alguém só agrava a situação.

Há fases no processo de aceitação de morte. A estudiosa Elizabeth Kluber-Ross, autora de vários livros sobre o tema, alerta que em geral, diante da morte qualquer ser humano passa por cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Esses estágios não necessariamente são subsequentes, podendo estar misturados e serem vividos ao mesmo tempo.

Negar é não poder ver e usar recursos para afastar a realidade que dói. Entre esses recursos temos uma infinidade de ações: acreditar que o morto ainda voltará, manter todos os objetos dele intactos, como se estivessem à espera do falecido, ou ainda negar a dor da situação, indo se divertir de modo desproporcional ao que o momento pediria, ou entregando-se a algum vício...

Ter raiva é querer culpar alguém. É procurar um responsável pela dor. Ter raiva é pensar que poderia ter sido diferente se o fulano não tivesse errado nisso, se o médico tivesse tentado aquilo, se a pessoa que ficou tivesse chegado minutos antes... A raiva não permite encarar o processo como algo que fugiu do controle, querendo devolver aos mortais o domínio do destino. A raiva é necessária para descarregar, mas é um esforço quase vão que nos liga ao passado.

Barganhar é tentar negociar com o destino. Fazer magia, fazer promessa, buscar psicografia. Esses recursos são importantes, mas ainda demonstram uma ligação com um passado que não se quer deixar ir. Ouvir uma palavra psicografada nãodeve ser um recurso proveniente de uma busca desesperada por contato, mas sim, algo que espontaneamente surge, se for essa a crença de quem fica.

A depressão é o último estágio antes da aceitação e não é por acaso. Quem se deprime está mais perto de ver as coisas como elas são e ver a devastação que a morte causou. O perigo desse estágio é o tempo de permanência. A depressão é a maior ladra da vida e por isso deve ser combatida quando o tempo é superior a seis meses e a intensidade tira o enlutado das atividades que o ligam à vida (trabalho, convívio familiar, convívio social, saúde, fé no futuro).

Finalmente, a aceitação é o processo que nos torna capazes de ver, tocar, falar sobre a morte e ao mesmo tempo, deixá-la ir para onde tiver que ir, longe de nossos domínios, de nosso controle racional. Deixar ir não significa esquecer, tampouco não sofrer nunca mais. Deixar ir é fazer as pazes com o tempo, com novas chances para quem ficou, com a única certeza de que absolutamente tudo muda e que é preciso se transformar junto com a vida e com a morte.

“Falar da morte de um filho


Ricardo Bocão: ‘O vazio foi sendo substituído’
Seu filho Vitor faleceu em 2012, aos 13 anos, em casa. Teve morte súbita, como se o corpo se desligasse sozinho

: ‘Vamos pegar onda juntos?’, costuma dizer - Mônica Imbuzeiro / O Globo

“Falar da morte de um filho é a coisa mais absurda de que um pai pode falar. A minha paixão pelo Vitor e pelo Bruce é incalculável. O que aconteceu, um ano atrás, foi uma bomba atômica.

O problema é que aquela bomba só estoura para você. Quando ocorre um negócio desses, na parte de fora está tudo normal. Você chega na praia para pegar onda, e está tudo normal, as pessoas estacionando, saindo do carro. Fica muito difícil encarar uma realidade tão diferente da sua. Os primeiros dez dias são cruéis: IML, missa, anúncio no jornal. De manhã, para mim, era o pior horário. Você acorda e não quer acordar. O efeito da bomba atômica não passa em cinco minutos. Parece que vai durar a vida inteira.

No começo, fiquei sob efeito de adrenalina e não sabia. Falei para um grande amigo meu: “Tô me sentindo 20 ou 30% mais forte, com reflexo mais apurado, ouvindo melhor”. Eu sei que era adrenalina porque eu pego onda em Waimea (praia havaiana em que as ondas chegam a dez metros), tenho doses naturais disso. Depois, fui perceber que era instinto de sobrevivência; uma sensação forte que tive no primeiro dia, no hospital, de que tinha que tomar conta da minha família.

Sei que o ser humano é ávido por sinais. Alguns você transforma no que deseja ver, mas alguns ficam difíceis de não acreditar. Antes da Missa de Sétimo Dia, fui surfar. O mar estava perfeito: as ondas, o sol, a cor da água. Eu estava com o meu sobrinho Taz e o Carlos Gama. O Rico de Souza, sem que eu soubesse, também estava lá me esperando. Meus amigos sempre estiveram muito perto. Não tinha quase ninguém na água, eu pude surfar tranquilo. Pensei: “O Vitor organizou isso para mim”.

Fui pegar onda porque queria estar de alma limpa. Mas, quando voltei da missa, estava mal. Tive febre, pressão baixa, comecei a suar. Depois daqueles sete dias de adrenalina contínua, foi como se minha energia tivesse sido sugada. Acordei fraquíssimo por uns dois dias, mas, depois, voltei a surfar. A Luciana, minha mulher, preferia ficar em casa. Eu dizia para ela: “Vamos para a luz, vamos caminhar na praia”, mas não adiantava. Por outro lado, ela sempre lia e relia (e ainda relê) as cartas que os amigos do Vitor nos enviaram. Eu tentei, não conseguia passar da quarta, quinta carta. Percebemos, com ajuda especializada, que o nosso processo de luto era diferente, e passamos a respeitar isso.

A Luciana diz que é uma montanha-russa, e eu concordo, mas a minha visão é de que ela tem ido para a frente e para o alto lenta e gradualmente. O Bruce, nosso filho mais velho, também tem sido muito presente, do nosso lado, e muito carinhoso com a mãe. Os amigos do Vitor e os pais deles sempre mandaram cartas. Um dia se vestiram de branco para homenageá-lo na escola. Nossa família e nossos amigos são nosso pilar mais forte. Essa rede de apoio ajuda a nos manter de pé.

O meu luto funciona assim: fiz um pacto comigo para viver homenageando o tipo de vida que o Vitor viveria. O luto, principalmente no início, é como um vazio que você tem que ir preenchendo. Com o tempo, o vazio foi sendo substituído pela lembrança da vida do Vitor. Hoje, sinto que é como se ele estivesse andando ao meu lado, com todos os exemplos de alegria que um garoto livre de qualquer negatividade aos 13 anos pode nos dar.

A gente tem a convicção de que foram 13 anos maravilhosos, que foi um privilégio ter feito parte disso. Quando penso que isso foi interrompido, dói. Mas aprendi muito rápido a não perguntar por quê. Não tenho questionamento místico, não pendi para a religiosidade.

Um cara me disse que o Vitor está num lugar melhor. Eu digo que queria ele do meu lado. Na minha visão, a gente faz parte da natureza e é um pequeno pedaço do todo. O que aconteceu com a gente infelizmente acontece toda hora. Não somos os primeiros e nem seremos os últimos. Quando teve Santa Maria, pensei: “Isso vezes 240 é inacreditável.” A realidade é que não tem muito jeito. Faz parte da vida. Pode acontecer com qualquer um.

Depois de um negócio desses, você aprende a dar real valor às coisas. É como se desse uma freada no trem para rearrumar tudo. Não estou melhor, mas me imbuí da presença do Vitor para me tornar um cara melhor. Talvez seja um compromisso que assumi com ele na primeira semana; tem me ajudado.

Tenho um pouco de cerimônia ainda, na hora de me mostrar feliz. Se passo uma hora e meia no mar, me distraio, às vezes me divirto bem, mas ainda me sinto um pouco estranho. E sei que isso é natural.

O Vitor jogava polo aquático, surfava. Quando ele estava aprendendo, eu o empurrava nas ondas. Fizemos uma camisa com a foto do dia em que ele pegou a maior onda da vida dele. Falo com ele em voz alta. Quando entro na água, digo: E aí, filho? Vamos pegar onda juntos?

Dez dias antes, fomos eu, Ricardo, Vitor, Bruce e Camila (namorada do Bruce) para a Costa Rica. Parecia que o Vitor estava se despedindo. Passamos o carnaval juntos, surfamos, vimos o pôr do sol dentro d’água. Dez dias depois, isso. O mundo parece que para.

No enterro eu fiquei quietinha ao lado do Vitor. Era aquela cena de filme de terror.

Foi uma enxurrada de carinho da família e dos amigos. Mas, nos primeiros dias, eu mal saía do quarto. Eu queria ficar quieta. Durante os dois primeiros meses, eu só saía de casa para a terapia do luto. Eu só fui mesmo depois que o Bruce entrou no meu quarto e disse: “Tem vida lá fora, mãe.” A gente resolveu, então, jantar num restaurante japonês aqui perto, onde não havia ninguém conhecido. É muito difícil encarar a realidade quando uma coisa assim acontece. O luto é uma montanha-russa. Cada hora fica um embaixo.

Eu passava o dia vendo fotos do Vitor. Os amigos dele da Escola Parque nos deram uma caixa, com cartas escritas para ele e para nós. Li as cartas mais de dez vezes. A série inteira do Vitor escreveu, além dos amigos do Bruce. Ainda as leio; isso me faz bem.

Mudei a página do Vitor no Facebook para Vitor Bocão Eterno. Quem tem foto dele coloca, os amigos escrevem, virou um memorial. Entro no Facebook dele todo dia. O tempo todo chega uma mensagem de fora que me levanta.

O Vitor era a música da casa. Ele cantava no quarto, cantava enquanto fazia o dever de casa. Achamos um vídeo, de quando ele tinha seis anos, cantando uma música da Xuxa. A letra dizia que “alguém que mora lá no céu gosta de mim”. Aquilo me confortou.

Quando teve Santa Maria, voltou muita coisa. Coloquei uma oração na minha página do Facebook para as 240 mães que estavam sofrendo. Eu sabia o que elas estavam sentindo. Você reconhece aquela dor, sabe o processo, o que vai acontecer no dia seguinte. A gente, pelo menos, não tem que lidar com um sentimento de revolta com terceiros, com injustiça social...

Eu acho que a mãe que perde um filho não “supera”. Ela aprende a viver com essa dor, e a lembrar do tempo em que vivia ao lado dele com alegria. Frequento a missa todo domingo. Me dá conforto. Explicação não vou ter nunca, mas, quando aparece de surpresa uma amiga do Vitor aqui em casa, me trazendo um brigadeiro, acho que foi ele que mandou.

A gente continua se relacionando com o nosso filho. Ele está dentro da gente. Mesmo em silêncio, eu estou com ele. Fiz um altar no meu quarto com todas as coisas que ganhei: imagens, quadros, terços, medalhinhas. Fizemos um adesivo do Vitor para colocar nas pranchas do Ricardo e do Bruce. Tenho saudade para a frente, do que eu não vivi ao lado dele, e teria vivido.

Essa força para melhorar vem dele, do Vitor. Eu ainda estou reaprendendo a viver sem ele. Estou em construção, me espiritualizando mais e mais. Fui muito amada e dei muito amor ao Vitor. A certeza desse amor verdadeiro e eterno me conforta muito.”

A dor de perder um(a) filho(a) é para sempre?


Saiba
A dor de perder um(a) filho(a) é para sempre?
· Perda de filhos
A perda de um filho implica num tipo muito particular de luto, pois solicita adaptações tanto sob
os aspectos individuais de cada um dos pais no
enfrentamento desta situação, como em
adaptações na relação com o(a) esposo (a), no sistema familiar e na sociedade.
Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva de futuro pois é neles que garantimos
a possibilidade de realizar todos os sonhos e projetos que não conseguimos em nossas
próprias vidas. Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também
psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um pedaço de nós.
· Reações à perda de filhos
O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta, e por algum tempo a pessoa chega a
"brigar" com Deus, por não conseguir entender (aceitar) o porque de estar vivendo uma dor tão
intensa.
As reações ligadas à perda de um filho dependem de alguns fatores como:
- a relação prévia entre pais e filho. Por exemplo: quando existem conflitos no relacionamento,
os pais sentem-se mais culpados após a perda de seu filho.
- a idade do seu filho: não existe uma idade pior, mas em cada etapa da vida existem fatores
que dificultam a elaboração da perda, como por exemplo na adolescência, fase em que
existem maiores chances de conflitos entre pais e filhos.
- as circunstâncias da perda: o quê aconteceu, como aconteceu, as causas da perda.
- Um número grande de sintomas fisiológicos podem acompanhar as reações psicológicas e
sociais dos pais, como por exemplo: anorexia, distúrbios gastrointestinais, perda de peso,
insônia, cansaço excessivo, choro, palpitações, estresse, perda do desejo sexual ou
hipersexualidade, falta de energia e retardo psicomotor, respiração curta.
· E o que acontece no casamento?
O casamento sofre um grande impacto com a perda de um filho. As características do
relacionamento obviamente serão afetadas pela maneira como cada um dos parceiros
expressa sua dor. A comunicação tende a complicar-se pois a mãe pode sentir sozinha em seu
luto, enquanto o pai pode se ver lutando para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento da
esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento do outro, por muitas vezes gera um
distanciamento tão grande nos casais, que não é
incomum ocorrerem separações após a
perda de um filho.
· Perdas paralelas ou secundárias
Quando perdemos um filho, perdemos também todas as suas funções explícitas e implícitas
dentro do funcionamento familiar, por exemplo: companheiro da mãe, o "bode expiatório", o
apaziguador, etc. Neste momento, podem ocorrer outros tipos de perda, como a separação
dos pais, dificuldades financeiras após os gastos com o funeral.
· Lidando com os filhos que ficaram
Não é
incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho morto, como "o favorito",
"melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais
como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado
que morreu. É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão, e
porque vê seus pais sofreram de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar
dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste
irmão. Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que
"sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam
a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de
castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.
· Lidando com o seu luto
Só você sabe o que esta perda representou para você, portanto respeite-a. Se você entender
o seu ritmo e seus limites para enfrentar a adaptação à esta perda, você irá lentamente se
organizando diante deste sofrimento. Esta dor é para sempre? De certa forma sim, porque um
vínculo com um filho é único e para sempre, mesmo que a distância. O que acontece é que a
ferida aberta passa aos poucos a cicatrizar-se, mas nunca se apagará. Você irá se alimentar
desta dor por muito tempo, mas aos poucos irá perceber-se divertindo-se, produzindo,
trabalhando, enfim, vivendo novamente, mas não será a mesma pessoa de antes, pois esta
experiência fará você rever uma série de valores, crenças e comportamentos.
· A hora de pedir ajuda
Peça ajuda quando perceber-se em algumas das situações citadas abaixo:
- sente vários dos sintomas fisiológicos citados acima;
- sente muitas dificuldades de compartilhar o sofrimento com o(a) parceiro(a);
- não consegue relacionar-se com os filhos que ficaram;
- não sente vontade de comparecer à eventos sociais já faz um pelo menos seis meses;
- ninguém consegue ouvir você lembrar tudo o que aconteceu;
- sente-se culpado por brigar com Deus;
-
não conseguiu desvencilhar-se de nenhum objeto ou roupa do filho, mesmo após um ano de
sua perda.

Eu tenho esperança para com Deus .



Nicolle era uma menina saudável. Mas, certa noite, ela reclamou de dor de cabeça, e seus pais a levaram ao hospital. Na noite seguinte, enquanto ainda estava em observação, Nicolle teve um ataque cardíaco. Exames adicionais revelaram que ela tinha uma infecção bacteriana rara que havia se espalhado para os pulmões, rins e coração. Em menos de 48 horas, Nicolle estava morta. Ela tinha apenas 3 anos.'
A morte de alguém querido é uma das experiências mais dolorosas que uma pessoa pode ter. Às vezes, a dor parece insuportável. “Sinto muita saudade de Nicolle”, diz Isabelle, mãe da menina. “Sinto falta dos seus abraços, do seu cheiro, do carinho, da florzinha que ela me dava todos os dias. Não passa um dia sem que eu pense nela.”
Se você também já perdeu alguém querido — um filho, marido ou esposa, pai ou mãe, um irmão ou um amigo chegado —, como pode lidar com a tristeza?
Não importa a cultura ou a religião, a maioria das pessoas não se sente à vontade para falar sobre a morte. Em alguns idiomas, existem até expressões para suavizar o assunto. Em português, por exemplo, em vez de dizer que alguém “morreu”, as pessoas dizem que ele “se foi”, “está descansando” ou “não está mais entre nós”.
Mas até as palavras mais suaves pouco ajudam a amenizar a imensa tristeza de perder uma pessoa querida. Para alguns, a dor é tão intensa que simplesmente não conseguem aceitar a realidade.
Se você já passou pela experiência de perder um parente ou um amigo, pode ser que também ache difícil aceitar a dura realidade. Talvez até finja que está tudo bem, quando, na verdade, não está.
A morte de alguém querido provoca vários sentimentos intensos. Por exemplo, você talvez fique chocado, paralisado, arrasado e até se culpe ou fique com raiva.
Tente se lembrar dos momentos felizes ao lado da pessoa querida, talvez olhando fotos. É verdade que essas lembranças a princípio podem causar dor. Mas com o tempo podem trazer alívio.
Outra sugestão é fazer um diário. Nele você pode escrever lembranças agradáveis e até coisas que gostaria de ter dito à pessoa enquanto ela estava viva. Talvez você ache mais fácil entender seus sentimentos ao colocá-los no papel. Escrever também pode ser uma boa maneira de dar vazão às suas emoções.
O que dizer de guardar objetos pessoais como lembrança? As opiniões sobre isso variam, o que não é de surpreender, visto que cada um reage de modo diferente. Alguns acham que guardar objetos atrapalha a recuperação. Outros acham que ajuda.A Palavra de Deus, a Bíblia, dá o melhor consolo. O apóstolo cristão Paulo disse: “Eu tenho esperança para com Deus .

Infelizmente, conheço bem a dor, de perder um filho.


Infelizmente, conheço bem a dor, de perder um filho. 

Hoje eu tenho que aprender a viver sem um pedaço de mim. Após a morte do meu filho, em 2011 passei a saber que a dor de perder um filho não passa nunca. Continuei vivendo, dia após a dia, mesmo sentindo que estava faltando um pedaço de mim. Confesso que me surpreendo com a minha capacidade de lidar com a dor, após mergulhar em minha própria dor.

É preciso ser demasiado humano, como diria Padre Fábio, para poder lançar-se nesse redemoinho de dor e sofrimento e sobreviver mais forte, transformando-se em uma pessoa melhor. É preciso ter paciência com você mesma e com a dor. Permitir que esse momento de dor e sofrimento seja vivido em todas as suas nuances. Mas as pessoas em sua ânsia de querer ajudar, não lhes dão esse direito. Exigem de você algo que naquele momento você não pode dar. Exigem que você esqueça, que sorria, que continue a viver como se nada tivesse acontecido. E não é bem assim. Algo terrível aconteceu. Eu perdi meu filho, um pedaço de meu ser. Eu fiquei incompleta. Deve-se saber que uma mãe que perde um filho ficará para sempre de luto.

Uma coisa é preciso saber: Deve-se considerar a necessidade de se respeitar uma mãe enlutada porque ela está imersa em sua dor. Uma dor tão imensurável, tão indescritível que chega a se materializar. É preciso ter paciência com as emoções que virão a povoar o coração dessa mãe que nunca mais será a mesma. Ela necessita se isolar para vivenciar esse momento. Ela precisa das lembranças do seu filho para amenizar suas saudades..


 noelma cavalcante de sousa

INVISÍVEIS, MAS NÃO AUSENTES



INVISÍVEIS, MAS NÃO AUSENTES

Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris.
Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação.

O genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram
publicados após a sua morte.
Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras:

"A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba, e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.

O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina, Aspira o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo.
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta.
A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.
A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação.
Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

(Victor Hugo)

Muitos consideram que o falecimento de uma pessoa amada é verdadeira desgraça, quando, em verdade, morrer não é finar-se nem consumir-se, mas libertar-se.
Assim, diante dos que partiram na direção da morte, assuma o compromisso de preparar-se para o reencontro com eles na vida espiritual.
Prossegue em sua jornada na Terra sem adiar as realizações superiores que lhe competem.
Pois elas serão valiosas, quando você fizer a grande viagem, rumo à madrugada clarificadora da eternidade.
Que Deus nos ilumine hoje e sempre!

Você descobrirá que a única maneira de escapar da dor é através da dor..


Você descobrirá que a única maneira de escapar da dor é através da dor...

Quando eu era menino, vi minha mãe levar um tombo quando estava tendo alta no hospital. Fiquei apavorado e pedi que ela voltasse para cama. Minha mãe contemplou o meu pequeno rosto assustado e disse: “ As pessoas caem mas depois elas voltam a se levantar. A vida é assim.”
Sob muitos aspectos, as perdas são semelhantes às quedas...
Ninguém escapa de algum tipo de perda. No início, uma família pode se ver no caos devido a uma perda e parece se desestruturar. Mas o tempo recompõe de uma forma diferente e na maioria das vezes mais rica.

A cura da perda envolve muitos passos. Não se force a viver plenamente a dor da perda. Deixe que o processo se desenrole no seu ritmo. Viva a negação se for preciso. Não se censure e nem se importe com a censura dos outros, lembrando-se que você experimentará seus sentimentos na hora devida. Você descobrirá que a única maneira de escapar da dor é através da dor...
Ao observar as pessoas que têm uma doença incurável lidarem com a perda, percebo quase sempre o mesmo processo. No início, elas tiram muitas de si mesmas, como se dissessem: “Eu estive aqui.” Depois, à medida que a doença progride, elas param de tirar tantas fotos porque compreendem que o retrato não é garantia de permanência: no melhor dos casos, as imagens acabarão sendo passadas para gerações de pessoas que nunca se conheceram. Descobrem que o mais importa é o amor que existe nelas e naqueles que elas amam. Descobrem que é possível transcender parte da perda e aquilo que há de fundamental em si mesmas e naqueles que amam não é perdido. Podem até aprender que o que realmente importa é eterno e é nosso para sempre. O amor que você sentiu e o amor que você deu nunca é perdido.

Certa noite, bem tarde, eu estava no andar reservado aos pacientes de câncer de um hospital, visitando um dos meus. No corredor, conversei com uma enfermeira que estava arrasada porque acabara de perder um paciente. “Foi a sexta pessoa que vi morrer esta semana!”, queixou-se ela. “Não consigo mais suportar isso, não posso mais ficar olhando morte após morte. É como não tivesse fim. Não sei se um dia irá terminar”.

...delicadamente segurei a sua mão e seguimos em direção a outra ala do hospital. Fizemos uma curva e entramos na área da maternidade, onde a conduzi até a divisória de vidro que nos separava dos bebês recém-nascidos. Fiquei observando o seu rosto enquanto ela começava a contemplar todas aquelas novas vidas, assimilando a cena como se nunca tivesse presenciado antes.
“Para exercer melhor sua função”, disse eu, “ você precisa vir aqui com freqüência para se lembrar que a vida não contém apenas perdas.”
Mesmo dentro do nosso sentimento de perda mais profundo, sabemos que a vida continua. Apesar de todas as perdas que possam estar bombardeando você, novos inícios brotam por toda parte. No meio da dor, a perda pode parecer interminável, mas o ciclo da vida nos cerca por todos os lados. Essa enfermeira compreendeu que tinha encarado o seu trabalho apenas como uma perda. Ela se deu conta de que esquecera de que estava ajudando a concluir vidas que haviam iniciado muitos anos antes, exatamente como as do bebês do berçário.

“Os segredos da vida” de Elisabeth Kubler-Ross e David Kessler,Ed.Sextante

Luto é um processo, não um evento



Luto é um processo, não um evento

A SAUDADE nos leva a visitar a relação que tínhamos com nossos queridos que faleceram.
Essa visita nos fala ou relembra aquilo que dá significado à vida para muitas pessoas: a existência de um vínculo forte com alguém que, quando rompido, gera o luto. Falar de luto hoje é falar das nossas possibilidades de fazer, desfazer e refazer laços.

Não podemos falar com precisão sobre uma sequência de fases do luto. A pessoa enlutada, com frequência, encontra outras que adotaram crenças rígidas sobre o que deve ser experimentado nessa jornada ao longo do luto.

Essas crenças podem afetar profundamente o processo individual natural. Podemos encontrar respostas de desorganização, medo, culpa mas também podemos não encontrá-las. As emoções podem seguir-se umas às outras com intervalos curtos ou até mesmo duas ou mais emoções podem estar presentes ao mesmo tempo.
Cada pessoa fica enlutada de sua maneira. O luto é uma experiência pessoal e única.

Como resultado dos valores contemporâneos, as pessoas enlutadas são encorajadas a rapidamente deixar para trás o luto. Como resultado, temos duas situações: ou o enlutado vive seu processo isoladamente ou se força a abandoná-lo, antes mesmo de tê-lo completado. Amigos e familiares, bem-intencionados, mas desinformados, tentam fazer com que a pessoa enlutada desenvolva autocontrole, entendendo que essa é a resposta adequada.

As pessoas se perguntam quanto tempo dura o luto, como uma confirmação de que estão no caminho certo. Essa pergunta é diretamente relacionada à impaciência que nossa cultura tem com o pesar e o desejo de sair logo da experiência do luto. Um exemplo disso é a pressão que o enlutado sofre, logo após a perda, para voltar à atividade normal.

O luto passa a ser visto como algo a ser evitado, e não como algo que precisa ser vivido e que trará possibilidades de reconstrução. Mascarar ou fugir do luto causa ansiedade, confusão e depressão.
Viver o luto não significa passar por ele, significa crescer por meio dele, para renovar o senso de confiança e a energia, para reconhecer a realidade da morte e a capacidade de se tornar envolvido novamente. O luto é um processo, não um evento.
Além de entender na mente, vai entender no coração: a pessoa amada morreu. A dor sentida vai deixar de ser onipresente e aguda para se transformar em um sentimento de perda que pode ser admitido e que dá vez a um significado e um propósito renovados.

Embora a pessoa que morreu jamais venha a ser esquecida, a vida pode e deve continuar a ser vivida. A perda é para sempre, o luto não.

Maria Helena Pereira Franco

Por que temos medo da morte?



Por que temos medo da morte?

O que é medo

Um sentimento demonstrado pelo receio, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo.
Dentre os medos, a morte sempre foi aquele bicho papão terrível, visita indesejável, de tal modo que ninguém quer pensar nela. Mas será essa atitude saudável? Não seria melhor ponderarmos um pouco sobre o que ela é, na realidade, e como lidar com ela?

Há como evitar esse medo?

De maneira geral não. Não se trata apenas do medo do desconhecido, mas do desconhecimento de nossos próprios sentimentos, da dificuldade que temos em pensarmos no fato antes da ocorrência. Achamos que só vai acontecer com os outros e, porque a situação não nos gera prazer, evitamos mencioná-la em nossas reflexões.

E, como reagem as pessoas?

Pessoas existem que sabem que manteriam a tranqüilidade diante de uma morte decorrente de uma doença, mas que mantém duvidas quanto à reação da morte em um acidente ou fato inesperado. Outras pessoas, personalidades, que se cobram muito, que têm crises de consciência, que agasalham sentimentos de culpa têm realmente muito medo do que acontecerá depois.

"Para morrer bem é preciso viver bem", ensinava Confúcio.
Para viver bem basta seguir o ensinamento de Jesus: "Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo".

OS QUATRO MOMENTOS


OS QUATRO MOMENTOS

Um homem tinha quatro filhos.
Ele queria que seus filhos aprendessem a não ter pressa quando fizessem seus julgamentos.
Por isso, convidou cada um deles para fazer uma viagem e observar uma pereira plantada num local distante.
O primeiro filho chegou lá no INVERNO, o segundo na PRIMAVERA, o terceiro no VERÃO e o quarto, o caçula, no OUTONO.
Quando retornaram, o pai os reuniu e pediu que contassem o que tinham visto.
O primeiro, que chegou no inverno, disse que a árvore era feia e acrescentou: “Além de feia, ela é seca e distorcida!”
O segundo, que chegou na primavera, disse que aquilo não era verdade. Contou que encontrou uma árvore cheia de botões e carregada de promessas.
O que chegou no verão, disse que ela estava coberta de flores que tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais tinha visto.
O último, que chegou no outono, disse que a árvore estava carregada e arqueada cheia de frutas, vida e promessas...
O pai então explicou a seus filhos que todos eles estavam certos, porque eles haviam visto apenas uma estação da vida da árvore.
Ele disse que não se pode julgar uma árvore ou uma pessoa, por apenas uma estação.
A essência do que se é (como o prazer, a alegria e o amor que vem da vida) só pode ser constatada no final de tudo, exatamente como no momento em que todas as estações do ano se completam!
Se alguém desistir no INVERNO, perderá as promessas da PRIMAVERA, a beleza do VERÃO e a expectativa do OUTONO.
Não permita que a dor de uma estação destrua a alegria de todas as outras.
Não julgue a vida apenas por uma estação difícil.
Persevere através dos caminhos difíceis...
e melhores tempos certamente virão, de uma hora para outra

Luto: Viver Apesar de Tudo



Luto: Viver Apesar de Tudo

Viver é também saborear o gosto acre da morte, do luto. Não apenas da morte propriamente dita, mas das mortes transfiguradas nas inúmeras perdas que sofremos durante toda nossa existência. O menino que fui, morreu para o adolescente que chegou, que morreu para o jovem, para o adulto. Enfim, o dia de ontem morreu para o dia de hoje, o segundo anterior morreu para o segundo quem vem. O passado morre para o presente, e se o luto não for elaborado, viveremos eternamente presos ao instante anterior, onde a vida já deixou de existir, já deixou de ser uma companhia. Viver é uma cidade sem muralhas, dizia Epicuro. Nesta cidade, estamos sujeitos a tudo: a dor e o prazer, a vida e a morte.
A vida e a morte, são como dois bailarinos que sincronicamente fazem juntos todos os seus movimentos; passos, gestos e sutilezas. Dançam juntos a mesma música, a mesma coreografia. A vida enquanto presente, leva uma vantagem de milésimos de segundos da morte, enquanto passado. Porém, a linha é tão tênue e sutil, que não percebemos a diferença. Por vezes, esse luto mais cotidiano, ordinário, passa desapercebido, não damos atenção porque aparentemente são segundos banais. Entretanto, quando nos damos conta, estamos com 70, 80 anos de idade e em um leito de morte. Só então é que teremos a sensação de não termos vivido, da vida ter se esvaído como água por nossos dedos. Ficamos tão agarrados ao passado, tentando pegar o abstrato, ver o invisível, que não nos damos conta, de que o presente fluía com todas as suas possibilidades. Mas, infelizmente “não estávamos lá” para usufruir. Só agora que estamos na eminência da “última morte”, é que percebemos que sem a morte não há vida, e que aceita-la, significa a possibilidade de uma nova vida que se renova a cada instante.
A todo o momento há falta. Essa falta, de qualquer forma pode trazer dor, e quando não aceitamos, pode nos trazer sofrimento. E pelo fato de não ser aceitar, há luto. Com isso, temos a cômica, ou trágica imagem do cachorro correndo atrás do próprio rabo. O real nos nega o objeto de desejo, nós negamos que nosso desejo foi negado pelo real, o que fatalmente resulta em dor. Nos revoltamos contra a vida, e a achamos injusta, sofremos ainda mais.
A impressão é que a realidade é o grande carrasco do desejo. E na verdade o é. Todavia, a realidade também é bondosa como uma mãe que às vezes é dura sim, mas que nos ensina a viver, a amar, a usufruir o que a vida tem a nos oferecer, apesar da morte, apesar da perda. A realidade às vezes concede nossos desejos e se não estes, outros, e com o tempo, aprendemos que também podemos ser felizes com estes “outros”. A felicidade não depende das perdas, mas sim do que conseguimos ganhar, e é isso o que importa.
Nada mais certo e normal que a morte, tudo o que tem um início, fatalmente terá um fim, e todos sabemos disso, porém preferimos nos enganar pensando que tudo é eterno. Meu namoro, meu casamento, meu cachorro, meu emprego, meus pais, meus avós, eu mesmo; todos eternos e perde-los não estava no escript. O trabalho de luto é aprender a dizer sim, tanto para a vida, quanto para a morte; para os ganhos e para as perdas.
Vida Breve
Uma vida não é senão um breve instante na eternidade, independente do quanto dura esse instante, é imprescindível que seja bem vivido, do contrário, a vida será um hiato, um vazio sem sentido. Dentro de cada vida, muitas outras vidas perfilam, vidas que a todo instante deixam de ser, deixam de existir, porque outras estão à espera. E cada finalização dessas breves existências, nos trazem o luto e sua conseqüente e necessária elaboração. Este que nos possibilita o desapego, a libertação de uma das mortes de nossa vida, para que novas possam nascer.
Aquele morreu quando estava para aproveitar a vida, desgostoso por ter sido tão breve e pouco vivida, ouve-se o comentário. Sendo assim, o que se lê é: aquele nunca aproveitou a vida! Sua existência correu rápida e descolada de si mesmo, e dela, não se aproveitou ou pouco se aproveitou. E porque até então não se pôde aproveitar? Por certo temos aqui a ausência do bem viver, portanto a dificuldade em morrer. Dificuldade, porque achamos que a vida não foi suficiente, queríamos mais, pois não nos sentimos preenchidos.
Este morreu feliz, conseguiu realizar seus sonhos. Portanto, este morreu completo, e talvez com uma morte bem aceita. Quando vivemos mal, a morte nos tira a vida, e a perda é vista como um roubo. Quando vivemos bem, a morte é apenas o último estágio da vida, a perda pode até deixar um vazio, mas não a revolta, não o sofrimento sem tréguas. Este por certo, perceberá que a vida continua, mesmo após uma perda ou morte. E na eminência do próprio fim, se liberta por si mesmo da vida que tanto lhe proporcionou, e sendo ele sabedor deste fim, parte tranqüilo e sereno.
“A morte só nos tomará o que quisermos possuir”, dizia Sponville, e Freud complementa: “não sabemos renunciar a nada. Apenas sabemos trocar uma coisa por outra”. E isso, a realidade pode nos dar. Posso amar outros, ser outro, ter outros. Constantemente travamos uma luta entre nossos desejos, amores ou posses, e a realidade – os impedimentos para alcançarmos tudo o que queremos – Muitas vezes, o real é mais forte, e perdemos essa briga.
O luto pode acontecer tanto do que tínhamos e perdemos, como: emprego, empresa, casamento e morte de um ente querido. Quanto do que esperávamos ter, mas que até o momento não conseguimos, como uma promoção, o carro que não conseguiu comprar, uma paixão que nunca foi correspondida ou ganhar o prêmio na loteria. E tão maior for nosso apego ao que temos ou ao que poderíamos ter, tão maior será o sofrimento caso perdemos. Elaborar o luto é se libertar do desejo, quando ele não pode ser realizado. Isso não serve para dizer que não devemos correr atrás de nossos sonhos, ou viver intensamente nossas paixões e que não devemos empreender nosso máximo para conseguir, mas sim, para dizer que a vida continua apesar de não ter conseguido. Acredite, o mundo é generoso.
A dor do luto
O luto como já dito, carrega em si a dor, viver é estar em constante luto e elaboração do mesmo. Essa elaboração é a ponte que nos leva da dor ao prazer. Luto é aprendizagem, é experiência. O luto nos torna humanos, que sabemos, somos mortais. Portanto, a morte é nossa fiel amiga e não podemos fugir dessa fidelidade. Ela pode ser ludibriada, se postergada, atrasada, mas nunca deixará de vir ao nosso encontro, como disse ela é fiel e cumpre o que promete, cedo ou tarde. Ela nunca deixa de estar presente, para nos mostrar como num espelho, nosso corpo a todo tempo desnudado pelo real. O real é a própria morte, são as perdas, os fracassos, as decepções, as frustrações, as amputações do desejo. Entretanto, o real nos pega mesmo a contra gosto, e por vezes nos mostra exatamente o contrário, que tudo tem um fim, que tudo isso não passa de um conto de fadas. O castelo de cartas cai por terra. Dor, sofrimento, luto.
A elaboração do luto é a aceitação da realidade tal como ela é, nua e crua. É aprender a viver com a ausência, com uma perda, buscando algo novo que nos vá preencher. Nunca é claro, o mesmo preenchimento, apenas um novo. O luto é da morte, não da vida. O que morre são partes de nós, o todo continua vivo. Assim como, a cada dia milhares de células morrem em nosso corpo, porém, milhares nascem para manter o todo nas melhores condições possíveis, e pelo maior tempo possível.
Por Odair José Comin

E depois, o que acontece?


E depois, o que acontece?

Saiba como as religiões encaram a perspectiva de vida após a morte. Embora de formas diferentes, todas acreditam que a Terra não é a última morada.

Aos poucos, a vista fica embaçada. O corpo perde a força. O coração bate cada vez mais devagar... Devagar... Até parar por completo. A respiração cessa, o sangue deixa de circular e o corpo esfria. Não há mais vida. O medo de enfrentar esse momento acompanha o homem desde a infância. Um temor provocado por inúmeras dúvidas. Será que vai doer? Vou encontrar de novo com minha família? Existe vida após a morte?
As religiões buscam acalmar essa angústia confirmando, de diferentes maneiras, a imortalidade do espírito. Nesse contexto, a fé nos consola e dá sentido à vida, pois explica de onde viemos e para onde vamos.
A crença da vida após a morte depende do período histórico. Por exemplo: os antigos egípcios acreditavam que as pessoas podiam voltar do mundo dos mortos. Por isso, mumificavam o corpo a fim de preservá-lo para quando o espírito retornasse à vida.

A idéia da alma imortal — que sobrevive à morte do corpo — ganhou força depois com a propagação do cristianismo. Mas judeus, budistas e muçulmanos também crêem na vida após a morte. Só não explicam em detalhes como ela é. A doutrina espírita é a que mais se preocupa em desvendar os mistérios da vida fora do corpo físico. Seus fundamentos baseiam-se em informações ditadas pelos que já morreram. ‘‘Se existem espíritos, por que eles não poderiam voltar para se comunicar com os seus’’, diz o Livro dos Espíritos (um dos pilares da doutrina). Veja abaixo como qual crença você mais se identifica.

A morte, segundo as religiões

Cada crença prega, à sua maneira, a imortalidade da alma. Conheça os rituais fúnebres de cada religião e a forma como eles encaram a existência após a morte

Budismo

Enterro: Deve-se queimar incenso durante o velório. O corpo é colocado num caixão com um rosário budista nas mãos. Um ou vários bonzos (iniciado nas escrituras sagradas de Buda) são chamados para celebrar o rito de despedidas finais. A cremação é recomendada.

Depois da morte: o falecimento não é o oposto da vida, mas parte de um processo de evolução do espírito. Não se pode experimentar plenamente a vida sem se preparar para a morte. O homem não é julgado por Deus, mas por sua consciência e ações. A alma reencarna 49 dias depois para cumprir o karma (resultado das ações realizadas nesta vida).

Espiritismo

Enterro: Geralmente, algum palestrante é chamado para falar sobre a ‘‘desencarnação’’ (os espíritas não dizem morte. Para eles, o espírito não morre nunca. Ela apenas deixa o corpo e volta para o mundo espiritual de onde veio).

Depois da morte: a alma (ou espírito) deixa o corpo, mas permanece com a mesma ‘‘personalidade’’. Alguns espíritos logo tomam consciência de que morreram e são encaminhados, por outros espíritos, aos hospitais das colônias (uma espécie de mundo paralelo onde vivem os que já morreram). Outros, demoram a perceber que não estão mais vivos e permanecem vagando na Terra. Há ainda os que vão para o Umbral, o ‘‘purgatório’’ dos espíritas. De qualquer maneira, depois de algum tempo, os espíritos que ainda não cumpriram sua missão voltam à Terra para reencarnar (nascer em outro corpo) .

Igreja Adventista do Sétimo Dia

Enterro: os adventistas têm um enterro similiar ao dos evangélicos (veja abaixo).

Depois da morte: a sepultura é um lugar de inconsciência, descrito na Bíblia como se as pessoas estivessem dormindo. Quando Jesus voltar, haverá uma grande ressurreição daqueles que morreram desde o começo da humanidade. ‘‘Exatamente como Ele soprou vida dentro do primeiro homem e mulher, acordará as pessoas que dormem com vida nova.’’ Já os maus não padecem no fogo do inferno. Eles simplesmente não irão ressuscitar e deixarão de existir.

Igreja Católica

Enterro: um padre é chamado para rezar pelo falecido. Depois de sete dias é feita uma missa para iluminar o espírito no caminho da vida eterna.

Depois da morte: os católicos acreditam na vida após a morte. Os bons vão para o céu, onde encontrarão a paz eterna. Os maus passarão por provações no inferno.

Igreja Evangélica

Enterro: o pastor é chamado para fazer um culto entregando a alma do falecido ao senhor

Depois da morte: para os evangélicos a morte não é motivo de tristeza, mas sim de celebração. O espírito da pessoa que partiu volta para o lado de Jesus. Lá, fica esperando a volta de Cristo ao mundo dos vivos, que marcará o juízo final.

Islamismo

Enterro: quando um muçulmano morre, tiram-se todos os adornos (anéis, relógios e jóias) do corpo. Depois, deita-se a pessoa no chão com os pés em direção à cidade sagrada de Meca. O caixão deve ser o mais simples possível pois só serve para transportar o corpo, uma vez que o falecido deve ser enterrado na terra. O enterro deve ser realizado rapidamente. O morto é vestido com uma mortalha branca que lhe cobre todo o corpo, inclusive a cabeça.

Depois da morte: Antes do enterro, a alma do falecido é visitada por dois anjos (Muncar e Nakir) que perguntarão qual a religião da pessoa e pedirão um relatório de suas boas e más ações. Este depoimento ficará registrado em um livro até o dia do Juízo Final. Os bons vão para o paraíso, cuja conotação é bastante sensual. Os homens, por exemplo, recebe um harém de virgens com olhos negros para servi-lo. Já os maus, vão para o inferno ou purgatório.

Judaísmo

Enterro: O corpo é colocado nu, no caixão, simbolizando o desapego aos bens materiais. Não se aprova a cremação pois o corpo deve permanecer íntegro. Um chazan (responsável por recitar as rezas judaicas) faz uma cerimônia de velação. O caixão deve ser preto com uma estrela de Davi branca, permanecendo fechado o tempo inteiro para preservar na mente dos parentes a imagem da pessoa viva.

Depois da morte: o judaísmo não costuma oferecer detalhes sobre a vida após a morte pois defende que os judeus devem se preocupar com este mundo. Não com o reino dos céus. No entanto, a torá (livro sagrado dos judeus) prega a existência da ressurreição. ‘‘O corpo e a alma serão reunidos novamente depois de terem sido separados pela morte.’’