segunda-feira, 3 de agosto de 2015

conclusões precipitadas.

Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco.
Numa manhã ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira.

Os amigos disseram ao velho:

- Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado!

E o velho respondeu:

- Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam

que o cavalo não está mais na cocheira.

O resto é julgamento de vocês.


As pessoas riram do velho.

Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou.

Ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso;

ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.

Novamente as pessoas se reuniram e disseram:

- Velho, você tinha razão.

Não era mesmo uma desgraça, e sim uma benção.

E o velho disse:

- Vocês estão se precipitando de novo.

Quem pode dizer se é uma benção ou não?

Apenas digam que o cavalo está de volta...

O velho tinha um único filho que começou a treinar

esse e outros cavalos selvagens.

Apenas uma semana mais tarde,

ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas.

As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:

- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das duas pernas.

E o velho disse:

- Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein?

Não se adiantem tanto.

Digam apenas que meu filho fraturou as pernas.

Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção.


Aconteceu que, depois de algumas semanas,

o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia

foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.

E os que foram para a guerra, morreram...


Quem é obcecado por julgar, cai sempre na armadilha

de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação,

o que o levará a conclusões precipitadas.


Nunca encerre uma questão de forma definitiva,

pois quando um caminho termina, outro começa,

quando uma porta se fecha, outra se abre...


Ás vezes enxergamos apenas a desgraça,

e não vemos a benção que ela nos traz...


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