Segundo a excelsa doutrina espírita, “Deus é eterno, imaterial, único,
onipotente, soberanamente justo e
bom. Criou o universo, que abrange
todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais”. (“O Livro
dos Espíritos”, pág. 23, F.E.B).Além desse edificante ensinamento,
extraído da “Introdução”, encontramos, no tesouro doutrinário da
primeira obra básica, mais pérolas, como a definição de que “Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” e os grandiosos
comentários do insigne codificador do espiritismo, Allan Kardec,
dizendo: “Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da
Criação.”O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência
de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde
fazer alguma coisa…
“A harmonia existente no mecanismo do universo patenteia combinações e
desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente.
Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é
cego” (págs. 53 e 53, F.E.B).
Compulsando livros hodiernos, analisando o pensamento científico a
respeito do cosmo e do seu instante inicial (“big bang”), ficamos
perplexo e emocionado, porquanto tudo o que foi descrito pela
codificação kardeciana, em relação à causalidade do universo, está sendo
confirmado pelos astrofísicos.
O cientista da Califórnia, George Smoot, afirma o seguinte: “Quando
examinamos de perto o “big bang”, o evento mais cataclísmico que podemos
imaginar, descobrimos que ele parece ter sido cuidadosamente
preparado”.
Igualmente, destacamos o que relata o astrofísico Fred Hoyle: “Uma
interpretação dos fatos, baseada no bom senso, sugere que um
superintelecto domina completamente tanto a física como a química e a
biologia, e que não há forças cegas importantes operando na natureza”.
Os cientistas ensinam que a grande explosão inicial, dando formação
ao universo, ocorreu há cerca de 15 bilhões de anos, num tempo muito
inferior a um trilionésimo de segundo sendo que o cosmo inicialmente
ocupava, apenas, um espaço físico muito inferior a um trilionésimo do
núcleo de um átomo. A temperatura era bastante superior a um trilhão de
graus centígrado
Impossível, diante de tais revelações científicas, não crermos em uma
inteligência, imaterial e onipotente, causa motriz do universo, desde
que o acaso não pode produzir semelhante efeito, de espantosa
complexidade.
Em verdade, uma bomba foi acionada e a sua origem se encontra fora
dos parâmetros da ótica material. Podemos afirmar que o cosmo se
materializou, naquele instante, havendo a possibilidade, portanto, de
existirem outros universos semelhantes ao nosso, albergando também cada
um algumas centenas de bilhões de galáxias e dez bilhões de trilhão de
planetas.
Certamente, a vida pulula com abundância no espaço sideral,
reafirmando o princípio básico espírita da “pluralidade dos mundos
habitados”, por sinal já ensinado pelo Mestre Jesus, no evangelho de
João, 14:2: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”.
Para os partidários do ateísmo, a matéria formada casualmente através
do “big bang” é a única realidade do universo, negando a origem causal
extrafísica. A física moderna assinala que, no significado tradicional
do termo, não existe matéria propriamente dita, desde que a matéria é
pura energia condensada. O que aparentemente se constata pelos nossos
sentidos como sólido, compacto, impenetrável, verdadeiramente não
existe. Segundo Einstein, “o materialismo morreu de asfixia por falta de
matéria”.
A proclamação científica hodierna da unidade matéria-energia fez com
que fendessem todas as muralhas da cidadela materialista. A constatação
do campo energético causal do cosmo pela ciência encoraja a todos
aqueles que esperam encontrar indícios de uma “Inteligência Superior”,
responsável pela formação sideral, obra planejada e executada pelo
“Grande Geômetra do Universo”, a quem Jesus chamava de “Meu Pai” e o
evangelho define como “Amor”.
A presença do Criador como artífice maior das galáxias, já foi
confirmada pela ciência, através do pesquisador George Smoot, divulgando
dados obtidos do satélite COBE (Cosmic Background Explorer), afirmando a
presença de ondulações na radiação cósmica de fundo, a qual corresponde
à energia remanescente da grande explosão inicial, ou seja, os restos
do “big bang”.
A identificação das ondulações revela a existência de um agente
causal, na formação do mundo sideral, justificando, inclusive, à
organização de bilhões de galáxias, bem diferenciadas em enxames e não
distribuídas aleatoriamente por todo o universo, o que aconteceria se o
acaso pudesse presidir a formação do “big bang”.
Anunciando a descoberta das ondulações na radiação cósmica de fundo, o
cientista Smoot afirmou, em grande momento de inspiração: “Se você é
religioso, isto é como olhar para Deus… Estas são as estruturas mais
antigas e maiores jamais vistas. Não apenas são as sementes da estrutura
atual do universo, isto é, das galáxias e enxames de galáxias, mas são
evidências do nascimento do universo e existem desde o momento da
criação”.
Para o famoso homem de ciências, perceber as ondulações, “era como
detectar as impressões digitais do Criador”, identificando no cosmo as
marcas deixadas por Ele.
Sir James Dean, na obra “O Universo Misterioso”, relata que o
universo “começa a parecer mais um grande pensamento do que uma grande
máquina”, ao lado das palavras grandiosas de Albert Einstein: “O
espírito científico, fortemente armado com o seu método, não existe sem a
religiosidade cósmica”. O insigne descobridor da “Lei da Relatividade”
explica-nos que a religiosidade cósmica “consiste em espantar-se, em
extasiar-se, diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma
inteligência tão superior que todos os pensamentos do homem e toda a sua
criatividade só podem desvendar, diante dela, a sua própria
insignificância”.
Astrofísica hodierna expressa a opinião de que há realmente uma
inteligência que regula a evolução do mundo sideral. O cientista Robert
Jastrow faz a seguinte observação: “Considere a enormidade do problema. A
ciência provou que o universo surgiu através de uma explosão em
determinado momento. Perguntamos: Que causa produziu este efeito? Quem
ou o que colocou a matéria e a energia no universo?
E a ciência não pode responder a essas questões, porque, de acordo
com os astrônomos, nos primeiros momentos da sua existência, o universo
estava extraordinariamente comprimido, e era devorado pelo calor de um
fogo que está além da imaginação humana.”
Em verdade, como filhos de Deus e imortais herdeiros de todo o mundo
sideral, somos proprietários de incalculável número de moradas,
importantes e necessárias para granjearmos conhecimentos, despertarmos
potencialidades e progredirmos incessantemente, até chegarmos à
perfeição relativa, tão bem assinalada e exercida pelo excelso Mestre
Jesus (“Obras Póstumas”, pág.150, FEB).
No momento em que nos conscientizarmos plenamente da presença
magnânima de Deus em nós, sentiremos a verdadeira felicidade, a qual já é
vivenciada pelos espíritos puros, como o Cristo: “Pai, a minha vontade é
que onde estou, estejam também comigo os que me deste.” (Evangelho de
João: 17:24).
NOTA: O autor é presidente da AME-RIO
(Associação Médico-Espírita do Estado do Rio de Janeiro) e
vice-presidente da ADE-RJ (Associação de Divulgadores do Espiritismo do
Estado do Rio de Janeiro).

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