Uma noção muito pesada e sacrificial de carma tomou conta da cultura
ocidental
Talvez por razões da influência da cultura religiosa
predominante a visão ocidental adicionou o conceito de dor e pecado a
esse princípio, que faz parte das culturas mais antigas do oriente.
Infelizmente as religiões, nelas incluindo a cultura do espírita,
estão muito carregadas de um conceito tóxico de Carma, no qual a
proposta é sofrer por sofrer, pagar dívidas de outra reencarnação.
Essa cultura trouxe como efeito um comportamento passivo, um conceito
distorcido da virtude da resignação. Nessa ótica, resignação é sinônimo
de passividade diante de nossos problemas e dificuldades durante a
vida, como se eles tivessem sido, previamente, planejados e que adianta
tentar mudanças nesse projeto feito antes do renascimento carnal.
Para muitas pessoas, por uma questão de medo e acomodação, é
preferível dizer que suas dores são carmas do passado que ela tem que
passar, do que se dar ao trabalho de acionar a coragem e o ânimo de
encontrar soluções e respostas para sair de suas dificuldades.
Transformar o sofrimento em algo útil e educativo, realmente é bem mais
trabalhoso!…
O que temos feito muitas vezes é suportado, aguentado situações e
relacionamentos, se prendendo a sentimentos e atitudes na convivência,
que não acrescentam e ainda nos desestruturam. Devido a essa postura,
“esticamos” o nosso carma que já poderia ter se “fechado” em seus
ciclos, para abertura de novas etapas. A proposta carmática não é baixar
a cabeça e aguentar e sim reagir e encontrar as saídas dos problemas e
das más experiências.
Passar uma vida inteira aquentando uma relação em prol da família ou
de um casamento pode acarretar sérios problemas espirituais. Desencarnar
doente e infeliz, magoado e insatisfeito, causa muita perturbação no
mundo espiritual. E, quando reencarna novamente, traz consigo os mesmos
problemas para resolver, o Carma ainda não está superado, o ciclo não
foi fechado.
Carma não se fecha com dor e sim com aprendizado, com atitude renovada.
Concluímos as nossas etapas carmáticas quando aprendemos o que a dor e
os desafios da vida tem para nos ensinar. Isso significa girar a roda
da vida, avançar em percepção sobre algo que nos aflige, progredir.
Em uma novela da Rede Globo, o personagem Shankar, representado por
Lima Duarte, sempre mencionava um conceito de carma que eu jamais quero
esquecer. Ele dizia: “Carma é você estar condenado a agir. Agir para
vencer a roda da vida.”
Esse tema tem causado muita confusão e sofrimento na vida de
multidões. A interpretação da palavra carma, quase sempre é associada à
ideia de ser condenado a uma dor e não ter saída.
Estamos sim condenados a passar alguma experiência nem sempre
agradável. A vida, porém, não quer castigar e sim educar. Que bom
pensar desse modo! Isso muda muita coisa!
Quem pensa que tem que passar por algo ruim e acredita que isso não
pode ser mudado, pode estar, em verdade, se acomodando na chamada zona
de conforto. Para alguns, como já mencionei, permanecer em algum carma
pode ser “vantajoso” diante do trabalho que vai dar para sair dele
através do encerramento de determinados ciclos de aprendizado.
Quando a gente pensa carma como algo que precisa acontecer, mas do
qual podemos nos libertar, o tema ganha um bom senso incomparável.
Usando inteligência, disposição sincera de aprender, boa vontade e uma
farta dose de coragem, podemos e devemos encerrar muitos ciclos a que
fomos condenados. Condenados, diga-se de passagem, a agir para sair
deles.
Essa, aliás, é a única condenação aceitável diante do raciocínio
lógico que nos leva a construir uma visão misericordiosa de Deus e Suas
Sábias Leis. Em outras palavras, as dores e problemas da nossa
existência só acontecem para que aprendamos como sair deles. E saindo
deles somos transportados a um novo mundo de vivências e sentimentos na
aquisição da sabedoria.
Ninguém, em são juízo, deve buscar a dor intencionalmente, todavia,
quando ela chegar é muito bom saber que traz junto um recado de Deus que
pode ser traduzido mais ou menos assim: “Filho eu lhe entrego essa dor
apenas para que olhes no espelho da vida, e perceba o quanto precisas
aprender acerca daquilo que ela veio para te ensinar, diante de tuas
próprias escolhas. Aprenda o quanto antes a como superar essa dor e
concluir teu carma.
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