__IRMÃO HUMANOEi, humano, dê-me as tuas migalhas
A sobra de comida que jogara no lixo
Gostaria de comer o teu pão dormido
Ou aquele pacote de bolachas quebradas
Ei, humano, dê-me os toquinhos de lápis
Que os teus filhos não querem mais usar
Não posso comprar os bons sonhos grátis
E as lágrimas apagaram a cor do meu olhar
Ei, humano, dê-me tuas roupas usadas
Aquelas manchadas, mofadas, rasgadas
A única veste que tenho é o meu corpo
Cuja pele cobre meu coração quase morto
Ei, humano, dê-me teus sapatos furados
Contento-me com um chinelo de solado gasto
Meus pés colecionam feridas e espinhos
Pois, não é fácil andar por estes caminhos
Ei, humano, dê-me um brinquedo velho
Não tenho bola, nem bonecos ou carrinho
Se tivesse, os trocaria por um pouco de carinho
Reviver minha imaginação é o que eu mais quero
Ei, humano, dê-me um pouco de paz e alegria
Choro desesperadamente sem saber onde ir
Não tenho abrigo, nem amigos para fazer-me sorrir
A morte os chamou sem que eles pudessem ter vida
Ei, humano, dê-me apenas uma gota d'água
Que seja teu suor, tua saliva, tuas falsas lágrimas
Ah, gostaria de beber na fonte que não se acaba
O divino sangue que nutre o corpo e purifica a alma
Ei, humano, se não puder me dar nada disso
Contentarei-me com um simples falso sorriso
Pois, não vejo alegria em teu coração artificial
Que trata o teu semelhante como um animal
Ei, humano, tranca-me em uma gaiola pequena
Não sei cantar, não sou atrativo... Apenas choro
Ouça o meu gemido de sofrimento, eu te imploro
Enxerga-me como um irmão e não como problema
Ei, humano, não se esqueça que eu ainda te amo
Enxergo em vós um ser demasiadamente doente
Ei, irmão, ao Supremo Criador do Universo eu clamo
Para que nós possamos apenas viver como gente
Ei, irmão, irmão, irmão... Ouça-me, estou aqui
Debaixo da montanha de vaidade, orgulho e egoísmo
Se escalarmos juntos, certamente iremos conseguir
Purificar nossas consciências para vivermos o paraíso...
Giovane Prates
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