A mensagem da humildade
“Não julgueis que vim destruir a lei e
os profetas; eu não vim destruí-los, mas dar-lhes cumprimento...”
(Jesus, Mateus, Capítulo V, versículo 17)
Há quase dois
milênios a humanidade terrestre atingiu sua maioridade espiritual e
Jesus, Ele mesmo, veio trazer a mensagem generosa do amor e da
fraternidade. A Sua proposta de humildade e simplicidade teve seu início
na manjedoura, como a dizer ao mundo a imperiosa necessidade de
vivermos despidos do orgulho e da ostentação.
Cresceu entre criaturas pobres, viveu num ambiente ríspido, enfrentando todas as dificuldades inerentes à época.
Para
o seu trabalho de mensageiro jamais requisitou qualquer privilégio
pessoal, nem tampouco exigiu qualquer aparato exterior. Espalhou sua boa
palavra nas praças públicas, nos locais simples, sempre preocupado com o
interior da criatura humana.
Falou de esperanças, da vida
eterna, de um Pai Amoroso, Único, Perfeito. Conclamou todos ao exercício
do bem, inclusive a retribuirmos com o bem todo o mal que nos fizerem.
Proclamou o perdão como forma de desenvolvermos boa convivência com os
homens. Afirmou que, perante Deus, somos todos iguais, quer sejamos
ricos ou pobres, brancos ou de cor, religiosos ou não. Disse ainda que
cabe aos mais ricos zelar pelos mais pobres, aos mais fortes amparar os
mais fracos, aos intelectuais proteger os menos cultos.
Sua
grande característica foi o constante contato com o povo, jamais fugindo
daqueles que o procuravam. Seus amigos mais próximos não foram os
doutores da época, apesar da cultura que o Mestre portava; não foram os
afortunados, mas sim os sofredores, aqueles que jaziam vitimados por
problemas físicos, morais, espezinhados pelas injustiças e pela opressão
dos poderosos. Sua palavra firme encontrou solo fértil nos “pequeninos”
e nas viúvas.
Em nenhum lugar do Evangelho se encontra
informação que se vestia a rigor para fazer suas pregações, que usava
acessórios para impressionar seus seguidores. Sua arma era, sem dúvida, a
própria mensagem, repleta de ensinamento e de muito amor. Convencia
pela bondade e pelo conteúdo do que dizia; enfim, eram marcas patentes
do Mestre: a simplicidade e a humildade.
Hoje a Doutrina
Espírita, codificada por Allan Kardec, carrega consigo o propósito de
restaurar o Evangelho de Jesus, deturpado que fora pelos interesses
humanos através dos tempos. É a Doutrina Espírita o Consolador
prometido.
E se nós espíritas quisermos seguir adiante com a
pureza do cristianismo não nos esqueçamos dos exemplos de Jesus. A obra
que o Nazareno deixou à humanidade é a construção do homem e não a
suntuosidade dos templos. Ele jamais se preocupou com os patrimônios da
Terra, mas muito se dedicou à edificação da criatura humana. E se sua
obra está no mundo há quase dois mil anos e ainda não foi entendida,
significa que nós ainda não cuidamos disso.
As Casas Espíritas
devem imitar Jesus, cuidar de instalações seguras, mais humildes e
simples, como humildes e simples foram seus exemplos. Se a tarefa é a
construção de um homem melhor, que nos misturemos com os simples, com os
sofredores, com aqueles que se fazem solo fértil para as mudanças. Se a
obra de Jesus tivesse o intuito de começar por cima, teria sido
informada nas Universidades e não numa manjedoura. Revelada na Grécia e
não em Israel. Se tivesse o desejo do gigantismo e da ostentação, teria
sido confiada a uma organização imperial e não à gente do povo.
Meditemos.
WALDENIR APARECIDO CUIN

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