Renato Corrada
Certa vez pela manhã, reclamei na frente do espelho que precisava fazer a barba.Neste momento meu mentor, que pertence a corrente médica dos indianos, falou no meu ouvido:
- Nem parece que é espírita.
E aí começou a me dar uma grande lição, que me deixou até envergonhado.
Eu fechei os olhos e comecei a ver um corredor, onde havia vários quartos. Em cada um deles, uma pessoa enferma. Ele havia me levado para um hospital, onde costumava atuar em seus trabalhos de cura.
Na primeira porta que paramos, ele me disse:
- Olhe aquele homem. Tem fome, mas não pode comer. O câncer lhe corroeu a garganta. Se alimenta apenas por sonda.
Na segunda porta havia uma mulher, aparentando uns trinta e poucos anos. E ele apontou e disse:
- Aquela mulher está na flor da idade. Mas resta-lhe poucos dias de vida na Terra. Foi vencida por uma doença do coração.
Na terceira porta havia um senhor, na casa de seus 70 anos, muito magro e debilitado. E o mentor falou:
- Entre. Quero que veja algo.
Entramos no quarto, nos aproximamos da cama, observei que o homem mantinha um olhar fixo no teto. Não falava, não se mexia, não tinha nenhuma reação.
- O que tem este homem ? Perguntei.
- Foi acometido por um severo derrame cerebral, respondeu o mentor.
E continuou:
- Repare que apesar de estar inerte numa cama de hospital, seu cabelo está curto, seu corpo está limpo, seu rosto está barbeado. Mas ele não fez isso sozinho. Precisou da ajuda de outros irmãos, as vezes voluntários, que num sentimento de piedade e caridade, lhe deixaram com uma aparência mais digna.
E finalizou:
- Volte pra tua casa. Faça tua barba. Agradeço ao pai por não precisar de ninguém pra te pentear os cabelos ou fazer a barba. E nunca mais reclames de nada.
Moral da história:
As vezes reclamamos por termos que fazer algo simples, mas que para muitos, é impossível fazer sozinho.
Pense nisso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário