domingo, 3 de janeiro de 2016

O QUE PODE UMA VIDA?...

O QUE PODE UMA VIDA?... Jorge Bichuetti

Olhando nosso passado, remoto ou recente, nos veremos, muitas vezes, agindo contrariando as necessidades e os objetivos do momento vivido
Rudes, quando desejamos harmonia e reconciliação; tímidos, quando a vida pedia fortaleza e destemor; medrosos na hora da ousadia e racionais no sublime instante da ternura...
Crescemos e criamos um modelo, uma identidade monocromática, inflexível, rígida...
Crescemos e perdemos a deliciosa arte arteira do brincar...
Gritamos, esbravejamos, esbofeteamos... mas somos submissos e servos; submissos e servos do nosso ego tirânico, vaidoso e orgulhoso, e comumente, também, egoísta...
Questionados, implacáveis nos defendemos: é a vida, é a crueza do caminho, é a minha autenticidade...
Alguns apelam para as ciências psi, dizendo: é a minha personalidade...
Usamos pouco: não sei... terei que pensar... talvez...me perdoe... me enganei...
Somos indomáveis e imbatíveis; até que a depressão, o pânico, as enfermidades crónico-degenerativas nos denunciam como modos de andar a vida que acumulou dissabores e sobrecargas e não organizou eficientes escoadouras das tensões...
Trabalhos excessivamente; descansamos mal... Já não passeamos; e o sorriso anda raro, quase sempre um reflexo não-sentido diante da piado do bar.
Assim, vivemos... Assim, morremos...
Atrevidos, concluímos: é a fragilidade da vida.
A natureza é pródiga; a vida é potência...
Dizia o poeta: "Sou vasto… contenho multidões." Walt Whitman
Somos guerreiros destemidos, ternos poetas, loucos boémios, ardorosos amantes, hábeis negociadores... Somos a palavra suave e doce e gesto bravioe corajoso... somos o medo e a timidez e somos a valentia e robustez....somos uma multidão...
Em nós habitam, a criança e o louco, o anjo e o guerreiro, o animal e a mulher, o nômade e o artista... e outros incontáveis eus.
Linhas da vida suprimida e reprimida pela nossa identidade tirânica.
Deste modo, vivemos mal..... Brigamos na hora do abraço; e nos encolhemos no instante de guerrear...
Não brincamos, não seduzimos, não enlouquecemos...
Temos medo de perder o juízo... E perdemos a saúde.
Estas formas não são forças destrutivas... são potências que se usadas na situação adequada vitaliza, energiza e dá qualidade às nossas vidas...
Trocamos tudo: palavras quando a vida pede uma carícia; silêncio quando se necessita expressar claramente nossa opinião...
Esquecemos nosso velho amigo Guimarães Rosa: " Viver é etecetera"...
Sejamos a multidão que abrigamos no nosso psiquismo...
Lidaremos melhor com a complexidade e diversidade de situações que compõem uma vida.
Olharemos, então para vida, e nos veremos em sintonia e realizando uma vida maximizada pela nossa riqueza interior.
Nos fotografaremos com uma rosa na mão no exato instante da reconquista e da reconciliação.
Nos pegaremos brincando quando o trágico nos chama para o abismo.
Nos descobriremos guerreiros audaciosas na conquista do nosso território de ser e existir.
Anjos e guerreiros numa só vida...
Alegres, pois, então, viveremos no hoje a poesia do porvir...

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